Senegal, Gabão e Moçambique na lista dos países africanos à beira da crise da dívida
Os títulos da dívida do Senegal caíram para novos mínimos históricos, colocando o país da África Ocidental em situação de endividamento, de acordo com uma medida amplamente considerada como o limiar que exclui os países dos mercados de capitais globais.
Segundo uma publicação da Bloomberg, o prémio de risco soberano dos títulos do Senegal em relação aos títulos do Tesouro dos EUA aumentou para 1077 pontos base esta quarta-feira (12), de acordo com as cotações intradiárias indicativas dos índices do JPMorgan Chase & Co. Isso coloca o país entre outros emissores africanos cuja dívida está a ser negociada a 1000 pontos base ou perto disso, o que é considerado um indicador de crise. O spread de Moçambique está em 965 pontos base, e o do Gabão foi negociado acima do limiar no início deste mês.
Os títulos senegaleses enfraqueceram acentuadamente esta semana, depois de o Fundo Monetário Internacional ter encerrado uma visita ao país sem um acordo sobre um novo programa de financiamento e de o governo do país ter manifestado oposição a qualquer reestruturação. O anterior pacote de 1,8 mil milhões de dólares do FMI para o país foi congelado no ano passado, depois de o governo ter revelado dívidas ocultas estimadas em 7 mil milhões de dólares.
“É evidente que existe uma probabilidade significativa de reestruturação da dívida incorporada no preço das obrigações do Senegal e que esta probabilidade aumentou novamente após a declaração do FMI em 06 de Novembro”, afirmou Mark Bohlund, analista de crédito sénior da REDD Intelligence, para depois acrescentar que “isto significa que Senegal não pode aceder ao mercado de euro-obrigações neste momento.”
Durante o fim de semana, o primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, descartou qualquer reestruturação da dívida para resolver o empréstimo não divulgado. De acordo com a mesma publicação, isso desencadeou uma onda de vendas de obrigações senegalesas em dólares na segunda-feira, que continuou até esta quarta-feira (12), com o rendimento das obrigações do país com vencimento em 2031 a subir 122 pontos base para 16,87%. A taxa aumentou agora quase 300 pontos base desde 07 de Novembro.
Por sua vez, o FMI afirmou esta terça-feira (11), que explorou várias opções com o Senegal e que agora cabe ao Governo senegalês decidir como lidar com as “vulnerabilidades significativas da dívida”.
Para estabilizar a sua dívida, Senegal precisará de um excedente primário de 2% do produto interno bruto e os seus credores terão de aceitar cortes, de acordo com Yvonne Mhango, economista da Bloomberg Economics, que escreveu na quarta-feira num relatório.
“Mesmo com uma profunda contenção fiscal, o peso da dívida do país continuará insustentável sem cortes por parte dos detentores de eurobônus e outros credores”, afirmou.
(Foto DR)