Ataques Provocaram Deslocamento de Mais de 66 Mil Pessoas, Segundo OIM • Diário Económico
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) fez saber que mais de 66 mil pessoas fugiram na última semana de dois postos administrativos em Memba, na província de Nampula, norte de Moçambique, devido ao alastramento dos ataques de grupos terroristas.
“Confirma-se o deslocamento de 13 131 famílias, cerca de 66,1 mil pessoas, entre os dias 16 e 22 de Novembro, do distrito de Memba para o de Eráti, ambos em Nampula. A população, composta também por mulheres grávidas e crianças, fugiram dos postos administrativos de Mazua e Chipene que estão próximos à vizinha província de Cabo Delgado”, esclareceu a entidade através de um relatório.
Segundo a agência das Nações Unidas, os recentes ataques de grupos armados não estatais no distrito de Memba desencadearam novos deslocamentos, agravando a escalada da violência. “Mulheres, meninas, idosos e pessoas com deficiência enfrentam vulnerabilidades ainda maiores, incluindo situações de Violência Baseada no Género (VBG), assim como a perda de documentos civis, e a presença de crianças desacompanhadas ou separadas agravam esses riscos”, alerta a OIM.
O documento aponta que, só em Alua Sede, estão concentrados 49 924 deslocados, em Miliva mais 8895 e na Escola Primária de Alua Velha mais de 7324, mas sublinha que “as áreas de acolhimento permanecem superlotadas e improvisadas, expondo as famílias aos perigos da estação chuvosa, ao risco de cólera e a preocupações com a protecção.”
Dados do Governo indicam que pelo menos cinco pessoas morreram nos recentes ataques extremistas em Memba, cenário que levou à suspensão de vários projectos públicos, incluindo a construção de um centro de saúde e um sistema de abastecimento de água.
Recentemente, a Organização Internacional para as Migrações revelou o registo de mais de 57 mil deslocados desde 20 de Julho, após o recrudescimento de ataques de extremistas em alguns distritos da província de Cabo Delgado.
A entidade clarificou que, em termos concretos, os números incluem 490 mulheres grávidas, 1077 idosos, 191 pessoas com problemas de mobilidade e 126 crianças, explicando que as pessoas “chegam a andar mais de 50 quilómetros pela mata, noite e dia, sobretudo em direcção à sede do distrito de Chiúre, no sul da província de Cabo Delgado.”
Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.
Em Abril, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.