O Parque Nacional de Maputo, na região sul de Moçambique, anunciou nesta sexta-feira, 16 de Janeiro, a interdição temporária dos serviços de Safari devido à intransitabilidade de algumas vias internas, situação causada pelas chuvas fortes que se fazem sentir em quase o País.
“Devido às chuvas intensas que se fazem sentir em várias regiões do País, as quais têm provocado inundações e a interrupção das principais vias de acesso, dificultando a livre circulação de viaturas, o Parque Nacional de Maputo informa todos os visitantes que, a partir do dia 16 de janeiro de 2026, ficam temporariamente suspensos os serviços de safari, tanto públicos, como privados”, avança um comunicado citado pela Lusa.
De acordo com o documento, a decisão deve-se à intransitabilidade de algumas vias internas do Parque, bem como à subida do nível da Lagoa de Xinguti, localizada dentro da área de conservação, o que compromete as condições de segurança para a realização das actividades.
“Assim, nenhum serviço de safari será realizado até que a situação esteja devidamente normalizada. Durante este período, apenas é permitida a entrada no Parque a viaturas pertencentes às comunidades locais, reservas privadas dos lodges, bem como serviços de emergência e equipas técnicas autorizadas”, conclui.
Estima-se que pelo menos 400 mil pessoas estejam em risco de serem retiradas compulsivamente das suas zonas de residência. “Há um risco iminente da junção dos rios Incomáti e Limpopo — cenário igual ao registado nas cheias de 2000 — à medida que transbordam, o que poderá aumentar o número de afectados para cerca de meio milhão de pessoas.”
A Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH), do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH), emitiu um “alerta laranja” face ao risco moderado e alto de ocorrência de cheias, olhando para as previsões meteorológicas e para a situação hidrológica que prevalece em Moçambique.
Recentemente, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) fez saber que morreram 85 pessoas, 70 ficaram feridas e outras 105,1 mil foram afectadas pelas mudanças climáticas durante a época chuvosa 2025-26.
Em Outubro, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária.
Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

