“União Europeia Enviará Segundo Avião Com Ajuda Humanitária Para Vítimas Das Cheias”, Garante Embaixador • Diário Económico
A União Europeia (UE) vai enviar, nos próximos dias, um segundo avião de carga com ajuda humanitária destinada a apoiar mais 20 mil pessoas afectadas pelas cheias no País, anunciou esta segunda-feira, 26 de Janeiro, o embaixador da UE, Antonino Maggiore, em Maputo, citado pela Lusa.
O anúncio foi feito no Aeroporto Internacional de Maputo, após a chegada do primeiro voo humanitário, que transportou 88 toneladas de bens essenciais financiados pela União Europeia e que serão distribuídos às populações afectadas com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
“Outro avião com carga semelhante chegará a Moçambique nos próximos dias para apoiar cerca de 20 mil pessoas”, afirmou o diplomata europeu, sublinhando que a resposta humanitária está a ser reforçada face à gravidade da situação.
Os materiais entregues, avaliados em 552 mil dólares, incluem equipamentos para saúde, água, saneamento e higiene, nutrição, educação e protecção da criança, bem como tendas destinadas à criação de “espaços seguros para crianças”, clínicas de saúde temporárias e outros serviços essenciais nas zonas mais afectadas pelas cheias.
Segundo Antonino Maggiore, a ajuda agora entregue deverá beneficiar, directa ou indirectamente, entre 30 mil e 50 mil pessoas, “muitas delas crianças em situação de elevada vulnerabilidade”.
O embaixador adiantou ainda que a UE está a coordenar esforços com os Estados-membros, incluindo Portugal e Espanha, sobretudo na definição de prioridades no sector da água, e mantém contactos com Bruxelas para o envio de especialistas. “Já disponibilizámos 950 mil euros e esperamos que este seja apenas o início. A crise vai prolongar-se e estamos a avaliar o que mais pode ser feito”, afirmou.
Na cerimónia de recepção da ajuda humanitária, a ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria Manuela Lucas, destacou que a União Europeia foi o primeiro parceiro internacional a mobilizar apoio para responder às cheias, estando no terreno desde 16 de Janeiro.

“Só podemos agradecer este gesto, que demonstra que somos parceiros”, afirmou a governante, sublinhando igualmente o apoio prestado por países vizinhos e a dimensão excepcional das cheias, numa altura em que a época chuvosa ainda vai a meio.
“Estamos apenas no início. A magnitude é enorme e muitos de nós nunca vimos cheias desta dimensão”, reconheceu, classificando a situação como “muito difícil”.
Segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), as cheias registadas este mês já inundaram mais de 150 mil casas, afectaram cerca de 230 unidades sanitárias e mais de 360 escolas em todo o País.
De acordo com a base de dados do INGD, com informação actualizada até às 7h00 de hoje, as cheias afectaram 652 189 pessoas, correspondentes a 141 317 famílias, com registo de 3445 casas parcialmente destruídas, 767 totalmente destruídas e 153 417 inundadas. Há ainda 45 feridos e quatro desaparecidos, enquanto centenas de famílias permanecem sitiadas, sobretudo no sul do País.
Desde o início da época chuvosa, em Outubro, já morreram 131 pessoas em Moçambique, com 144 feridos e um total de 779 528 pessoas afectadas. Actualmente, estão activos 99 centros de acomodação, que acolhem 99 907 pessoas, incluindo 19 556 resgatadas.