Governo e Banco Mundial discutem desafios macroeconómicos no quadro do reforço de cooperação – MZNews
O Governo moçambicano, através da ministra das Finanças, Carla Loveira, recebeu esta quarta-feira (04), em audiência, o director do sector da Prosperidade para a África Oriental e Austral do Banco Mundial, Hassan Zaman, no quadro do reforço da cooperação entre Moçambique e aquela instituição financeira internacional.
A visita enquadra-se na implementação do novo Enquadramento de Parceria com Moçambique 2026–2031, recentemente aprovado pelo Banco Mundial, que prevê mobilizar cerca de 971 milhões de dólares ao longo do período de vigência do CPF, podendo alcançar 2,5 mil milhões de dólares através de uma combinação de financiamentos da IDA, instrumentos de garantia, financiamento combinado (blended finance) e serviços de assessoria.
Durante a reunião, Carla Loveira apresentou as projecções macroeconómicas constantes no Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026. Segundo a governante, as projecções iniciais apontavam para um crescimento do Produto Interno Bruto de 2,8% e uma inflação média anual de 3,7%, num contexto de recuperação gradual da economia.
Na ocasião, a governante informou que as recentes inundações no sul de Moçambique introduziram novos riscos às projecções macroeconómicas, exigindo uma reavaliação técnica dos principais indicadores. As cheias provocaram danos significativos nas infra-estruturas, afectaram a produção agrícola e interromperam a ligação rodoviária entre o norte e o sul do País.
“A interrupção da circulação rodoviária criou constrangimentos logísticos relevantes, com impacto directo no abastecimento dos mercados do sul e pressão adicional sobre os preços de bens alimentares e produtos básicos. Este contexto poderá resultar num aumento temporário da inflação acima da meta inicialmente projectada”, assinalou.
O sector agrário foi identificado como um dos mais afectados pelas inundações. Este sector representa cerca de 23% do PIB nacional e emprega mais de 70% da população. A destruição de culturas alimentares, perdas de efectivos pecuários e danos em sistemas de irrigação reduziram a capacidade produtiva e de geração de rendimento das famílias.
No domínio fiscal, a ministra destacou que o PESOE – 2026 previa um esforço de consolidação fiscal gradual, com a redução do défice orçamental para cerca de 7% do PIB. As despesas emergenciais associadas à resposta humanitária e à reabilitação de infra-estruturas, bem como a redução de receitas decorrente da desaceleração económica, criam pressões adicionais sobre o equilíbrio orçamental.
Durante o encontro, foi reiterado o alinhamento entre as prioridades nacionais e os quatro pilares do novo Enquadramento de Parceria com o País, nomeadamente a estabilidade macro-fiscal, o reforço da força de trabalho, a melhoria do acesso à energia e a promoção do emprego no sector privado, com enfoque no agro-negócio e no turismo.
Loveira destacou a importância de manter flexibilidade na implementação do portfólio de projectos, de modo a responder a prioridades emergentes, como a recuperação pós-inundações e o reforço da resiliência climática.
As partes abordaram igualmente a realização da Country Portfolio Performance Review, que irá avaliar o desempenho dos projectos em execução no País, actualmente estimados em cerca de 5,6 mil milhões de dólares, distribuídos por vários sectores estratégicos.
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