Autoridades Activam Acções Preventivas Face ao Alerta do Ciclone “Gezani” • Diário Económico

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As autoridades moçambicanas activaram nesta terça-feira, 10 de Fevereiro, acções antecipadas em algumas províncias das regiões Sul e Centro do País, que poderão ser atingidas pela passagem da tempestade tropical “Gezani” que se prevê que evolua para ciclone, podendo atingir o canal de Moçambique no dia 12 de Fevereiro.

“Diante deste cenário, o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGD) activou as acções antecipadas para ciclones para a província de Sofala, bem como para toda a região sul”, avança um comunicado conjunto do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE).

No documento citado pela Lusa, as entidades esclarecem que as previsões hidrometeorológicas nacionais apontam que a passagem da tempestade tropical “Gezani” vai afectar os distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, além de colocar em situação de alto risco de cheias e inundações as bacias costeiras de Inhambane, Mutamba, Save, Limpopo e risco moderado para as bacias de Incomati e Umbelúzi.

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Neste sentido, o INGD e o CENOE recomendam a adopção de medidas face ao alerta, entre as quais o reforço da segurança da cobertura das casas, portas e janelas com material resistente, preparação de um ‘kit’ básico de mantimentos para sobrevivência, incluindo alimentos, vestuário essencial, cobertores, medicamentos, documentos de identificação pessoal e água, conservar alimentos, documentos, material escolar em locais seguros e informar-se sobre os locais seguros para abrigo.

As instituições pedem ainda a retirada de pequenas embarcações da água para locais seguros, bem como a massificação e difusão de mensagens de aviso à população através das rádios comunitárias, órgãos de comunicação social, Comités Locais de Gestão e Educação do Risco de Desastres (CLGRD) e outros meios.

“As autoridades locais, com o apoio dos CLGRD, devem, sempre que necessário, apoiar a retirada da população para locais seguros, com especial atenção às pessoas vulneráveis (crianças, idosos, mulheres grávidas e pessoas com deficiência). Preparar os locais previamente identificados como centros de acomodação, assegurando as condições básicas para o acolhimento das populações, incluindo água e saneamento”, acrescenta-se.

A Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) alertou que cerca de um milhão de pessoas poderão ser afectadas pela tempestade tropical “Gezani”, acrescentando que se espera ainda que o mau tempo afecte 1600 unidades sanitárias e 600 quilómetros de rede eléctrica.

Já o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) fez saber que até às 8h00 de segunda-feira, o sistema apresentava ventos médios de 75 quilómetros por hora, com rajadas até 100 quilómetros por hora, deslocando-se para o sudoeste a uma velocidade de 15 quilómetros por hora.

As projecções indicam que a tempestade poderá atingir o canal de Moçambique nas próximas 72 horas. Em comunicado, o INAM refere ainda que “Gezani” poderá transportar ventos de até 120 quilómetros por hora, com rajadas que poderão atingir 140 quilómetros por hora, acompanhadas de chuvas intensas.

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No total, estima-se que cerca de 1200 quilómetros de linhas de média tensão tenham sido afectados ou submersos

Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas.

Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.

Recentemente, o Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas registadas nos últimos 20 dias, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul.

Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais.

No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária.

O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.

Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

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