FDEM sugere aposta na industrialização como resposta às fragilidades apontadas pelo FMI
A Federação de Desenvolvimento Empresarial de Moçambique – FDEM considera que as conclusões do Fundo Monetário Internacional (FMI) reforçam a necessidade de acelerar reformas estruturais e colocar a industrialização no centro da estratégia de desenvolvimento do País.
Em reacção ao relatório, a organização empresarial moçambicana sustenta que o défice estrutural de industrialização “continua a ser um dos principais factores da vulnerabilidade externa e dos desequilíbrios macroeconómicos do País”.
Numa publicação do Dossiêr e Factos, a Federação reconhece, contudo, os progressos assinalados pelo FMI, nomeadamente a manutenção de uma inflação baixa, níveis adequados de reservas internacionais, a condução prudente da política monetária, a saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI e a retoma planeada de um grande projecto GNL, seguramente em referência ao Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies.
Na mesma publicação, a organização felicita o Governo e o Banco de Moçambique por estas medidas prudenciais, consideradas determinantes para preservar a estabilidade num contexto adverso.
No plano fiscal, a organização empresarial classifica como prioritária a consolidação orçamental, defendendo a contenção da massa salarial pública, o alargamento da base tributária, o reforço da gestão das finanças públicas, a mitigação dos riscos fiscais das empresas públicas e do sistema de pensões, bem como maior transparência na gestão da dívida. Para a Federação, a sustentabilidade da dívida é condição essencial para restaurar a confiança e reduzir o custo do crédito.
A agremiação destaca igualmente a recomendação de maior flexibilidade cambial, entendendo que esta poderá facilitar o ajustamento às condições externas e mitigar a escassez de divisas, desde que se preservem reservas adequadas. Defende ainda maior vigilância sobre os riscos do sector financeiro, sobretudo a elevada exposição dos bancos à dívida pública, e o reforço da inclusão financeira e do acesso ao crédito para as empresas.
“A Federação considera urgente reduzir o efeito de crowding-out do Estado (absorção, pela máquina estatal, de crédito que, em condições normais, financiaria o sector privado) no sistema financeiro, ampliar o financiamento às Pequenas e Médias Empresas (PME) e acelerar reformas económicas, administrativas e legislativas que estimulem a produtividade, o investimento privado e o sector industrial”, lê-se, sublinhando que o relatório do FMI confirma a urgência de aprofundar a consolidação fiscal, reforçar a flexibilidade cambial, promover a industrialização e melhorar o financiamento ao sector privado.
(Foto DR)
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