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Governo Exige “Maior Transparência” na Gestão de Donativos Após Escândalo de Desvio • Diário Económico

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O Governo pediu esta segunda-feira, 2 de Fevereiro, maior transparência na gestão e distribuição de donativos destinados às vítimas das cheias na província de Gaza, sul do País, na sequência da detenção de vários funcionários públicos, incluindo a anterior administradora do distrito de Xai-Xai, acusados de desvio de bens de assistência humanitária.

Segundo a agência Lusa, o Executivo reforçou o apelo à integridade na gestão da coisa pública durante a tomada de posse da nova administradora distrital.

O secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto, foi claro ao dirigir-se à recém-empossada administradora de Xai-Xai, Avelina Nhazimo, sublinhando a necessidade de assegurar que a ajuda humanitária chegue efectivamente às populações afectadas pelas cheias. “Exigimos-lhe, senhora administradora, que assegure maior transparência na gestão e distribuição de donativos, garantindo que cada artigo destinado a apoiar vítimas das cheias chegue aos legítimos beneficiários”, afirmou.

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O apelo surge após a detenção de pelo menos dez funcionários públicos, entre os quais a antiga administradora do distrito de Xai-Xai, Argelência Chissano, suspeitos de envolvimento no desvio de donativos destinados às vítimas das inundações que têm assolado a região.

De acordo com as autoridades da Procuradoria Provincial, após denúncias de irregularidades, foram executados mandados de busca em várias residências na cidade de Xai-Xai e no distrito de Chibuto, onde foram apreendidos diversos produtos de primeira necessidade. Entre os bens recuperados estão 218 colchões, 41 fardos de roupa usada, 63 sacos de farinha de milho, 20 sacos de arroz de 25 quilogramas, três caixas de dois litros de óleo vegetal e dois sacos de 50 quilogramas de feijão manteiga.

O caso tem gerado forte atenção pública, numa altura em que as comunidades afectadas pelas cheias continuam a enfrentar dificuldades no acesso a abrigo, alimentação e outros serviços básicos.

Durante a cerimónia de posse, Jaime Neto pediu à nova administradora que dê continuidade ao processo de assistência às comunidades no regresso às suas residências, sobretudo as famílias mais vulneráveis.

“Para o exercício das suas funções, abstenha-se de todas as práticas nocivas à boa imagem e reputação da máquina administrativa do Estado, combata sem tréguas a corrupção, o nepotismo e a falta de transparência na gestão da coisa pública, incluindo o favorecimento próprio”, declarou o governante, acrescentando: “Não seremos condescendentes com atitudes e práticas de corrupção, incluindo a priorização de interesses particulares em detrimento do bem comum”.

As declarações reflectem a pressão crescente sobre as autoridades locais para melhorarem os mecanismos de fiscalização na distribuição da ajuda humanitária, num contexto em que a confiança pública tem sido fragilizada por alegações de má gestão de recursos públicos.

Avelina Nhazimo reconheceu que assume o cargo num “momento difícil”, mas garantiu que irá pautar a sua actuação pela legalidade, transparência e gestão participativa. “Sempre servi o povo, mas nos bastidores. Agora vou servir, vou ter de lidar no meu dia-a-dia com a população. Estou para servir, posso dizer que sou soldado do povo”, afirmou a nova administradora, na sua tomada de posse.

A responsável destacou ainda que pretende reforçar os canais de diálogo com as comunidades afectadas, bem como garantir maior controlo na distribuição de bens de assistência, num esforço de reposição da confiança institucional.

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