O Governo afirmou esta terça-feira, 3 de Março, não ter registo de cidadãos nacionais mortos ou feridos no actual conflito no Médio Oriente, desencadeado após o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, indicando que 681 moçambicanos se encontram naquela região.
Segundo a agência Lusa, a informação foi avançada pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no final da reunião semanal do órgão, realizada na capital do País.
De acordo com o responsável, após contactos mantidos com as missões diplomáticas moçambicanas, foi possível concluir que, “por agora, todos os moçambicanos encontram-se bem de saúde e em segurança”.
Os dados apresentados referem que Moçambique tem pelo menos 681 cidadãos no Médio Oriente, entre trabalhadores e estudantes. Destes, 300 encontram-se no Qatar, outros 300 nos Emirados Árabes Unidos, cerca de 100 na Arábia Saudita, 12 em Israel e um no Bahrein.
Embaixadas apelam à vigilância e prudência
Face à escalada da violência na região, as embaixadas moçambicanas no Médio Oriente emitiram comunicados apelando aos cidadãos nacionais para que acompanhem atentamente as informações divulgadas pelas autoridades locais, como forma de salvaguardar a sua segurança.
O porta-voz do Executivo explicou que o Governo está igualmente a tentar estabelecer contacto com outros cidadãos nacionais que se encontram a estudar ou a trabalhar no Chipre e no Kuwait, bem como com cidadãos que estavam em trânsito, com escalas nos aeroportos de Doha, capital do Qatar, e do Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo Impissa, estes dois aeroportos constituem pontos habituais de passagem para viajantes moçambicanos com destino a outros países, tendo sido afectados pelo encerramento do espaço aéreo na sequência do agravamento do conflito.
“Para uma mais fácil comunicação e articulação com os cidadãos que se encontram em zonas de conflito, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação vai disponibilizar na sua página de Internet informação e contactos para que todos os moçambicanos que necessitam de contactos possam aceder aos mesmos”, afirmou.
O responsável acrescentou que, para já, não existe um plano de retirada em curso, embora o Executivo esteja a acompanhar a evolução da situação.
“Temos um plano de contingência que tem sido analisado e estudado, já temos pelo menos os dados de quem está onde. Um plano de evacuação não se dispensa, é provável que haja, mas é no contexto dos esforços que estão a ser feitos para ver o que cada um efectivamente vai necessitar”, explicou, frisando que o Governo vai abrir uma linha directa de comunicação com os cidadãos que se encontrem ou tenham atravessado zonas de conflito.
Impacto económico em análise
Questionado sobre os possíveis impactos do conflito no Médio Oriente para a economia nacional, incluindo eventuais aumentos dos preços dos combustíveis, Inocêncio Impissa adiantou que foi criado um grupo multissectorial para avaliar os efeitos da crise.
O porta-voz referiu estar em curso um “estudo aprofundado” sobre a matéria, solicitando tempo para que o grupo técnico conclua a análise antes de qualquer posicionamento oficial.
Ao quarto dia da ofensiva israelo-americana contra o Irão, Teerão atacou hoje alvos associados aos Estados Unidos na região do Golfo, enquanto Israel prossegue bombardeamentos no território iraniano e no Líbano, onde ocupa novas posições, num cenário de crescente tensão regional que mantém a comunidade internacional em alerta.

