Ministro da Saúde Diz Sentir “Vergonha” Com Denúncias de Mau Atendimento Nos Hospitais • Diário Económico
O ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou esta segunda-feira, 9 de Março, sentir-se “envergonhado” com denúncias de mau atendimento e cobranças ilícitas em unidades sanitárias do País, reconhecendo que a humanização dos serviços de saúde constitui um dos maiores desafios do sector.
“Temos um grande desafio neste ciclo de governação: o grande desafio tem que ver com a humanização, a qualidade e a segurança dos nossos doentes. Este é um assunto que não nos deixa dormir. Fico muito envergonhado como ministro da Saúde quando vejo nas redes sociais mau atendimento e cobranças ilícitas. Isto dói, porque na saúde não pode existir gente que trata mal o outro”, declarou o governante.
O ministro falava em Maputo durante a inauguração do primeiro laboratório de simulação realística de técnicas de enfermagem em cuidados intensivos, ocasião em que criticou duramente comportamentos considerados incompatíveis com a ética da profissão.
Segundo Ussene Isse, profissionais que provocam sofrimento adicional aos pacientes ou que se recusam a prestar assistência não devem permanecer no sector. “Aquele que causa dor e sofrimento ao outro não pode estar na saúde. Escolheu mal a profissão. Todos nós temos dificuldades e temos problemas. Vamos discutir os nossos problemas, mas aquele que é o centro da nossa formação é o paciente, é o doente”, afirmou.
Governo aguarda esclarecimentos sobre alegada crise no sector
As declarações surgem numa altura em que o sector da saúde enfrenta críticas relacionadas com alegada escassez de medicamentos e material hospitalar em várias unidades sanitárias.
A 24 de Fevereiro, o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, afirmou que o Executivo aguarda informações detalhadas do Ministério da Saúde para avaliar a existência de uma eventual crise no sector e definir medidas.
“Temos registo de situações, mas o ministro tem de nos apresentar elementos concretos”, disse Impissa, respondendo a perguntas de jornalistas após uma reunião do Conselho de Ministros.
O porta-voz admitiu que podem existir casos de “maus comportamentos” em algumas unidades sanitárias, mas sublinhou que o Governo aguarda dados concretos da tutela antes de avançar com decisões.
Sector enfrenta pressão laboral há vários anos
O sistema de saúde nacional tem sido marcado, nos últimos anos, por sucessivas tensões laborais. Há cerca de quatro anos, profissionais do sector têm protagonizado greves e paralisações convocadas pela Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), organização que representa cerca de 65 mil trabalhadores da saúde de diferentes áreas.
Entre as principais reivindicações estão o pagamento de horas extraordinárias e a melhoria das condições de trabalho, incluindo a disponibilização regular de medicamentos e material hospitalar.
Paralelamente, o sector enfrentou também momentos de forte pressão provocados por greves convocadas pela Associação Médica de Moçambique (AMM), que exige igualmente melhores condições laborais e reforço de recursos no Sistema Nacional de Saúde.
As autoridades reconhecem que os desafios estruturais persistem, mas defendem que a melhoria da qualidade do atendimento e da humanização dos serviços constitui uma prioridade para restaurar a confiança dos cidadãos nas instituições de saúde.