Crédito à Economia Recuou Pelo Terceiro Mês Consecutivo em Janeiro Mantendo-se na Faixa Dos 3,9 MM$ • Diário Económico
O crédito à economia moçambicana voltou a recuar em Janeiro deste ano, pelo terceiro mês consecutivo, para 290,5 mil milhões de meticais (3,9 mil milhões de euros), segundo dados do Banco de Moçambique (BdM). O recuo indica uma desaceleração no financiamento, mantendo-se a atenção das autoridades sobre a estabilidade económica.
De acordo com o Relatório Estatístico do BdM, o ‘stock’ de Janeiro contrasta com os 286,5 mil milhões de meticais (3,9 mil milhões de euros) registados no mesmo mês de 2025. O pico anterior foi em Maio de 2025, com 292,8 mil milhões de meticais (3,9 mil milhões de euros), enquanto Outubro registou 292,6 mil milhões de meticais (3,9 mil milhões de euros).
O crédito a particulares continuou a liderar, totalizando 103,7 mil milhões de meticais (1,4 mil milhões de euros) em Janeiro, apesar da ligeira queda. Este segmento representa a maior parte do financiamento concedido pela banca, reflectindo a procura doméstica por recursos financeiros.
Seguiu-se o sector dos transportes e comunicações, com 26 mil milhões de meticais (355 milhões de euros), e a indústria transformadora, com 19,2 mil milhões de meticais (261 milhões de euros). O comércio registou 23,2 mil milhões de meticais (316 milhões de euros), mantendo a relevância na distribuição do crédito.
A taxa de juro de referência (‘prime rate’) desceu 10 pontos-base em Março, para 15,6%, segundo a Associação Moçambicana de Bancos (AMB). Trata-se do segundo corte em 2026, após seis meses consecutivos em máximos de 24,1%, evidenciando esforços de contenção do custo do crédito.
Em Janeiro, a AMB tinha reduzido a ‘prime rate’ em 10 pontos-base, para 15,7%, mantendo-a inalterada em Fevereiro, apesar do corte da taxa directora pelo banco central. A ‘prime rate’ é influenciada pela taxa MIMO, usada pelo BdM para controlar a inflação.
Na reunião de 28 de Janeiro, o Comité de Política Monetária (CPMO) decidiu cortar, pela 12.ª vez consecutiva, a taxa MIMO em 0,25 pontos-base, fixando-a em 9,25%. O banco central previu a estabilização da taxa, alertando para os efeitos das cheias nos preços e no comportamento da inflação.
“Esta decisão é sustentada pelas perspectivas de manutenção da inflação a um dígito no médio prazo, não obstante a materialização de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a ocorrência das inundações e para a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas”, explicou o governador do banco central, Rogério Zandamela.
O governador acrescentou que “este é o mundo que estamos a enfrentar neste momento”, referindo-se às cheias desde o início de Janeiro, que afectaram cerca de 724 mil pessoas, deixando várias populações sitiadas, vias bloqueadas e prejuízos provisórios de cerca de 600 milhões de euros, impactando a dinâmica do crédito à economia.
Fonte: Lusa