As poupanças dos moçambicanos em depósitos a prazo na banca alcançaram, em Janeiro deste ano, o valor mais elevado dos últimos seis meses, fixando-se em 304,6 mil milhões de meticais (4,1 mil milhões de euros), segundo dados oficiais citados pela Lusa.
De acordo com estatísticas do Banco de Moçambique (BdM), este resultado confirma uma tendência de crescimento consistente ao longo dos últimos meses, reflectindo o reforço da capacidade de poupança no sistema financeiro nacional.
Os dados indicam que, em Junho de 2024, os depósitos a prazo estavam fixados em 264,7 mil milhões de meticais (3,5 mil milhões de euros), tendo registado aumentos sucessivos até atingirem um pico de 305,9 mil milhões de meticais (mais de 4,1 mil milhões de euros) em Julho.
Já o valor registado em Janeiro representa o segundo mais elevado em mais de um ano, correspondendo igualmente a um crescimento de 6,5% face ao mesmo período de 2025, segundo o histórico do banco central.
Além dos depósitos a prazo, os depósitos à ordem também mantiveram uma trajectória de crescimento, ao registarem um aumento de 1% num mês, para 482 mil milhões de meticais (6,5 mil milhões de euros) em Janeiro, reforçando a evolução positiva dos indicadores bancários.
Em Moçambique operam actualmente 15 bancos comerciais e 12 microbancos, para além de cooperativas de crédito e outras organizações de poupança e crédito, que contribuem para o alargamento do acesso aos serviços financeiros no País.
Entretanto, a 28 de Janeiro deste ano, o BdM decidiu reduzir pela 12.ª vez consecutiva a taxa de juro de política monetária MIMO, cortando-a em 0,25 pontos percentuais para 9,25%. A autoridade monetária prevê uma estabilização da taxa, mas alerta para o impacto das recentes cheias sobre os preços no País.
“Esta decisão é sustentada pelas perspectivas de manutenção da inflação a um dígito no médio prazo, não obstante a materialização de alguns riscos e incertezas associados às projecções da inflação, com destaque para a ocorrência de inundações e para a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas”, afirmou o governador do banco central, Rogério Zandamela, no final da última reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).
O CPMO está reunido novamente esta segunda-feira (23), para avaliar a evolução dos indicadores económicos e monetários e decidir sobre eventuais alterações. Desde Setembro de 2022, a taxa directora manteve-se em 17,25%, tendo iniciado um ciclo de cortes em Janeiro de 2024 até aos actuais 9,25%.

