A dívida externa de Moçambique voltou a deteriorar-se nos mercados internacionais, com o principal bond do País a prolongar a sua queda por 11 dias consecutivos, reflectindo o agravamento das condições financeiras num contexto de choques externos e fragilidades internas, informou a agência bloomberg.
Segundo o órgão, o título de 900 milhões de dólares, com maturidade em 2031, recuou para cerca de 77,5 cêntimos por dólar, o nível mais baixo desde Abril de 2025, acumulando perdas superiores a oito cêntimos desde o início do actual conflito internacional que tem pressionado os preços do petróleo.
Em paralelo, o rendimento do título subiu para cerca de 15,2%, enquanto o prémio de risco face às obrigações do Tesouro norte-americano ultrapassou os 1,3 pontos base, um nível considerado indicativo de situação de risco elevado para a dívida soberana.
Com este desempenho, Moçambique passa a integrar o grupo restrito de países africanos em situação de maior vulnerabilidade nos mercados de dívida, juntamente com o Senegal.
Analistas indicam, no entanto, que “as dificuldades não são recentes, tendo sido já sinalizadas por instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, que alertaram para níveis elevados de despesa pública financiada por dívida”.
Apesar do potencial associado aos megaprojectos de gás natural, avaliados em cerca de 50 mil milhões de dólares, “a sua implementação tem sido lenta, em parte devido à instabilidade no norte do País, o que continua a adiar os benefícios esperados para a economia”.
As dificuldades não são recentes, tendo sido já sinalizadas por instituições como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, que alertaram para níveis elevados de despesa pública financiada por dívida
Especialistas do mercado financeiro citado pela agência consideram que “o aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes, impulsionado pelo actual contexto internacional, está a agravar as vulnerabilidades económicas, pressionando ainda mais as contas públicas”.
Internamente, o Estado enfrenta dificuldades acrescidas, com atrasos significativos no acesso a divisas, estimados em cerca de 800 milhões de dólares, segundo o sector bancário.
Embora o Executivo tenha recorrido recentemente ao mercado interno para mobilizar financiamento, os resultados permanecem limitados, num contexto em que os bancos comerciais demonstram menor apetite para adquirir títulos de dívida pública.
Relatórios de instituições financeiras indicam ainda constrangimentos no cumprimento de obrigações internas, incluindo o pagamento de juros e a liquidação de títulos vencidos, o que poderá comprometer o acesso futuro ao financiamento, tanto no mercado doméstico como internacional.
Perante este cenário, especialistas defendem que “o País precisa de acelerar o acesso a financiamento externo, nomeadamente junto de parceiros multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional”.
Contudo, o desbloqueio desse apoio está condicionado à implementação de reformas estruturais consideradas críticas, incluindo medidas de consolidação fiscal e melhoria da gestão da dívida pública.
Enquanto isso, analistas alertam que “a dívida moçambicana deverá continuar sob pressão, influenciada por riscos associados ao financiamento, à evolução da taxa de câmbio e à incerteza em torno de um eventual programa com o FMI”.

