Profissionais de Saúde Ameaçam Paralisar Totalmente Actividades Por Incumprimento de Acordos • Diário Económico

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Os profissionais de saúde, em greve desde Janeiro, acusaram esta segunda-feira (30) o Governo de não cumprir as recomendações acordadas nas negociações e ameaçaram paralisar totalmente as actividades numa nova fase da greve, aumentando os constrangimentos no Sistema Nacional de Saúde (SNS).

“A greve continua e o diálogo não está a trazer avanços. As recomendações acordadas com o Governo não foram cumpridas e a situação nacional do Sistema Nacional de Saúde está catastrófica”, disse o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave.

Citado pela Lusa, o responsável avançou que, actualmente, pacientes estão a morrer nas unidades de saúde nacionais por falta de oxigénio, medicamentos e equipamentos básicos, e outros perdem membros por infecções causadas pela ausência de material médico esterilizado, salientando que os profissionais de saúde trabalham em condições desumanas, sem recursos e sem apoio.

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Quando passam quase três meses desde o início da greve da classe, iniciada a 16 de Janeiro, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025 — contra os 40% aprovados pelo Governo a pagar até Fevereiro – e melhores condições de trabalho no sector, Muchave apontou para milhares de mortes causadas pela escassez de materiais médicos, associados a falta de atendimento.

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Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave

“Há mais de 1872 mortes em três meses por falta de medicamentos, material médico-cirúrgico e de atendimento”, referiu o responsável, exigindo ao Governo que tome acção imediata para resolver a crise na saúde, garantindo o fornecimento de medicamentos e material médico cirúrgico, melhoria das condições de trabalho e justiça para os que estão a morrer nos hospitais.

“A APSUSM não vai recuar. A luta é pela vida, pela dignidade e pelos direitos na saúde, não vamos permitir que o Governo negligencie o Sistema Nacional de Saúde e coloque em risco a vida dos profissionais de saúde e dos moçambicanos”, reiterou.

O presidente daquela associação, que abrange cerca de 65 mil profissionais de saúde de diferentes departamentos, assinalou também que a próxima etapa da greve, que será lançada em alguns dias, caso não se chegue a um consenso com o Governo, vai paralisar na totalidade as actividades nas unidades hospitalares nacionais.

Recentemente, o ministro da Saúde, Ussene Isse, classificou a greve dos profissionais do sector como “uma tristeza”, admitindo haver problemas. “Neste momento, existem colegas que compreenderam a mensagem e estão no terreno a trabalhar. Estamos agora num momento de emergência em todo o País. É uma tristeza falar-se de greve, pois o foco está em ajudar as populações por se tratar da nossa missão”, afirmou o governante.

O dirigente pediu diálogo para travar a greve, reconhecendo os problemas existentes na área da saúde. “Vamos continuar a dialogar para ultrapassar o que nos difere, estamos aqui disponíveis, não estamos em guerra nem a queremos”, reiterou.

O Sistema Nacional de Saúde enfrentou, nos últimos anos, diversos momentos de pressão provocados por greves de funcionários.

O País tem um total de 1778 unidades de saúde, 107 das quais são postos de saúde, três são hospitais especializados, quatro hospitais centrais, sete são gerais, sete provinciais, 22 rurais e 47 distritais, segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde.

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