O Governo prometeu nesta terça-feira, 31 de Março, pronunciar-se oficialmente sobre as conclusões apresentadas no recente relatório do Banco Mundial sobre a actualização económica de Moçambique, sublinhando estar a decorrer, actualmente, uma análise do documento.
“O Banco Mundial (BM) é um parceiro independente, tem os seus critérios. O que se está a fazer agora é recolher a informação e analisá-la face aos critérios nacionais, para depois o País se pronunciar sobre essa matéria”, afirmou o ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, após o término da sessão ordinária do Conselho de Ministros.
Citado pela Agência de Informação de Moçambique, Impissa reiterou que o Governo respeita a análise da instituição internacional, revelando ainda que o programa de reestruturação económica e social do País, recomendado pelo Banco Mundial, se encontra na fase final de elaboração.
“Há também uma janela aberta com o FMI para realizar o mesmo exercício, na perspectiva de promover o crescimento da economia moçambicana em benefício dos cidadãos”, concluiu.
O Banco Mundial alertou na quarta-feira (25) que o País enfrenta um cenário de pressão fiscal elevada e crescimento económico insuficiente, defendendo a adopção urgente de reformas estruturais para garantir a estabilidade macroeconómica.
A posição consta da mais recente Actualização Económica de Moçambique, na qual a instituição assinala uma desaceleração acentuada da actividade económica. O crescimento real do Produto Interno Bruto passou de 5,5% em 2023 para 2,2% em 2024, tendo registado uma contracção de 0,5% em 2025.
Segundo o relatório, os desequilíbrios macroeconómicos persistentes, associados a pressões fiscais e à escassez de divisas, continuam a limitar a confiança dos investidores e a actividade do sector privado.
Entre as principais recomendações, o Banco Mundial destaca a necessidade de conter a massa salarial do sector público, que representa cerca de 15% do PIB, um dos níveis mais elevados a nível global. A par disso, os encargos com juros, estimados em 3,7% do PIB, contribuíram para que estas despesas absorvessem 87% das receitas fiscais em 2025.
Embora identifique factores positivos, como a possível retoma dos projectos de gás natural e melhorias no enquadramento financeiro internacional, a instituição considera que os riscos permanecem elevados, sobretudo devido a factores sociopolíticos e choques externos.
Perante este cenário, o Banco Mundial defende uma mudança estrutural na política fiscal, com medidas de consolidação, reforço da mobilização de receitas e melhor gestão da dívida, como condições essenciais para assegurar a sustentabilidade das finanças públicas e responder às crescentes exigências sociais.

