FMI Defende Disciplina Orçamental Para Atrair Investimento em Moçambique • Diário Económico

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu, num relatório divulgado na semana passada, que Moçambique deve reforçar a disciplina orçamental para atrair mais investimento. No mesmo documento, dirigido aos países de baixo rendimento, a instituição menciona ainda Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Segundo a instituição financeira, uma disciplina orçamental e instituições financeiras mais fortes, particularmente a administração das receitas e a gestão das finanças públicas, estão associadas a maiores fluxos de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) nos países de baixo rendimento

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Os efeitos dessas acções, sustenta o FMI, são “mais marcantes nestes países do que nos mercados emergentes e amplificados em contextos de elevada incerteza”.

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Os 70 países de baixo rendimento mencionados neste relatório, que inclui cinco lusófonos, são agrupados numa lógica diferente da classificação normalmente utilizada pelas instituições internacionais, como o Banco Mundial, e inclui “todos os países membros do FMI elegíveis para empréstimos ao abrigo do Fundo de Crescimento e Redução da Pobreza”, explica a instituição no texto.

No documento, que surge num contexto de particular incerteza devido aos efeitos globais do ataque dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel ao Irão, salienta ainda que a instabilidade agrava as mudanças no financiamento externo que têm sido visíveis nos últimos anos, como a descida nos fluxos de Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e o aumento do endividamento comercial, a par de uma redução do financiamento concessional.

“Dada a sua escassez, os recursos concessionais devem ser prioritariamente direccionados para os países de baixo rendimento mais pobres e frágeis”, salientam os economistas do Fundo, acrescentando que “o desenvolvimento de capacitação direccionada e um reforço da coordenação entre as autoridades dos países de baixo rendimento e os parceiros de desenvolvimento impulsionaria a implementação das reformas e ajudaria a reduzir os custos de financiamento”.

O FMI incentiva estes países a fortalecerem as suas instituições financeiras, vincando que “incentivos fiscais normalmente utilizados, como reduções de impostos ou zonas económicas especiais, parecem atrair IDE apenas onde a disciplina fiscal e as instituições são fortes”.

A análise dos economistas da instituição financeira internacional salienta que o conjunto de dezenas destes países apresenta ambientes orçamentais muito diversificados, havendo os que crescem acima da média mundial, e outros praticamente estagnados, mas diz que, na maioria dos casos, o crescimento médio de 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 não chega para reduzir o elevado nível de pobreza por pessoa.

Navegar pelas incertezas globais e pelas mudanças no financiamento externo “exige políticas e reformas internas firmes e apoio adequado dos parceiros internacionais; os esforços em matéria de política interna e de reformas serão fundamentais para aumentar o rendimento do capital e atrair fluxos de IDE mais fortes”, refere o FMI.

“Instabilidade agrava as mudanças no financiamento externo que têm sido visíveis nos últimos anos, como a descida nos fluxos de Ajuda Oficial ao Desenvolvimento e o aumento do endividamento comercial, a par de uma redução do financiamento concessional”

As reformas internas são, assim, fundamentais para equilibrar as “mudanças significativas” no perfil da ajuda externa, essencial para estes países conseguirem potenciar o desenvolvimento e reduzir a pobreza.

Após um pico entre 2010-14, os fluxos financeiros líquidos para estes países diminuíram cerca de um terço, com redução dos fluxos de capital de Investimento Directo Estrangeiro e da dívida externa, afirmou o FMI, alertando que “os novos empréstimos do sector público junto do sector privado têm sido contraídos a taxas de juro mais elevadas e com prazos de vencimento mais curtos”.

Assim, os fluxos de Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD) diminuíram nos últimos anos para 4,3% do PIB dos países de baixo rendimento, face a uma média de 5% durante o período entre 2010-14, e prevê-se que continuem a diminuir, o que surge numa altura em que existe uma mudança das subvenções para os empréstimos e do apoio orçamental para o financiamento de projectos.

Fonte: Lusa

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