Moçambique é o País mais afectado pelas novas projecções do Banco Mundial para 2026, com o crescimento económico revisto drasticamente em baixa, de 3% para apenas 0,9%, num contexto marcado pelo impacto do conflito no Médio Oriente e pela inflação generalizada.
O relatório semestral do Banco Mundial Africa Economic Updates, divulgado na quarta-feira (7), em Washington, Estados Unidos da América, indica que esta é a descida mais significativa entre os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), reflectindo as pressões externas e as fragilidades internas que estão a dificultar a recuperação económica do País.
Para além do abrandamento do crescimento, Moçambique enfrenta também um aumento da inflação estimado em 7,5%, o que está a fazer subir o custo de vida e a exercer pressão sobre o poder de compra das famílias.
Nos PALOP, o Banco Mundial reviu em baixa as suas previsões de crescimento para quase todas as economias. Prevê-se que Angola cresça 2,4% (uma descida em relação aos 2,6% anteriormente previstos), enquanto a previsão para Cabo Verde foi reduzida de 5,2% para 4,8%. São Tomé e Príncipe também registou uma revisão em baixa significativa, passando de 4% para 2,9%.
A excepção é a Guiné-Bissau, que deverá registar um crescimento de 5,3%, ligeiramente acima da previsão anterior, destacando-se como o único país do grupo a beneficiar de uma revisão em alta.
Entretanto, prevê-se que a Guiné Equatorial volte a entrar em recessão, com uma contracção de 3,5%, invertendo a previsão de crescimento anterior.
A instituição atribui estas revisões principalmente aos efeitos do conflito no Médio Oriente, que provocaram perturbações no abastecimento e um aumento dos preços, em particular no sector energético. Angola regista a taxa de inflação mais elevada entre os PALOP, situando-se em cerca de 15%, seguida de São Tomé e Príncipe, com 11%.
Em média, prevê-se que os PALOP registem um crescimento de apenas 2%, um valor bastante inferior à média da África Subsaariana, estimada em 4,1%.
O relatório alerta também para um abrandamento mais generalizado na região, referindo que as previsões de crescimento para cerca de 60% dos países africanos foram revistas em baixa para 2026.
Os economistas do Banco Mundial também destacam o impacto directo nos rendimentos das pessoas. Em quase um terço dos países africanos, prevê-se que o rendimento per capita desça abaixo dos níveis de 2014, com quedas particularmente acentuadas em economias dependentes do petróleo ou afectadas por conflitos, como Angola, Guiné Equatorial e Sudão.
Apesar disso, cerca de 40% dos países da região apresentam níveis de rendimento superiores aos de 2014, com alguns a registarem melhorias significativas.
Fonte: Lusa

