O Fundo Monetário Internacional (FMI) avançou nesta quinta-feira, 16 de Abril, que Moçambique não reúne condições para um novo programa de financiamento face aos desafios do País, estando em curso análises macroeconómicas para encontrar as soluções.
“Não há condições assim além da necessidade de tomar medidas urgentes para emendar os desafios de hoje. Continuamos a discutir para encontrarmos um conjunto de detalhes específicos para um programa”, afirmou o representante residente do FMI em Moçambique, Olamide Harrison.
O Ministério das Finanças confirmou, a 2 de Abril, ter efectuado uma “amortização integral e antecipada” de 701,4 milhões de dólares junto do Fundo Monetário Internacional, liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).
Entretanto, intervindo num seminário sobre “Macroeconomia dos Gastos com Defesa, Conflitos e Recuperação”, Olamide Harrison disse que o FMI não exige pagamentos antecipados para poder negociar. “Acho que a motivação é racional, cabe às autoridades moçambicanas responderem”, explicou.
“Vamos analisar os desafios e os desequilíbrios do lado doméstico, mas também no meio externo, para tentar encontrar uma solução sobre quais as medidas necessárias para restaurar o equilíbrio na macroeconomia”, acrescentou o representante residente.
Nesta semana, o director Nacional das Análises Fiscais e Financeiras, Alfredo Mutombene, assumiu que o País vai tentar negociar um novo programa de apoio com o FMI durante os encontros de Primavera do FMI e do Banco Mundial que decorrem esta semana em Washington, nos Estados Unidos da América (EUA).
A delegação moçambicana que participa nestas reuniões é chefiada pela ministra das Finanças, Carla Loveira, e prevê encontros técnicos com responsáveis das duas instituições financeiras para discutir novas formas de cooperação económica.
Recentemente, Carla Loveira revelou que o Governo recorreu às reservas líquidas internacionais para pagar a dívida com o Fundo Monetário Internacional, garantindo que a decisão não compromete as instituições do Estado.
“Pagámos o serviço da dívida com o FMI recorrendo às reservas internacionais líquidas do País. São posições financeiras que Moçambique tem, de tal sorte que não houve necessidade de proceder a qualquer alteração orçamental para esta finalidade”, afirmou a governante, citada pela Lusa.
A Confederação das Associações Económicas (CTA) afirmou que a liquidação da dívida do País ao Fundo Monetário Internacional é um “sinal relevante” da responsabilidade macroeconómica e do reforço da credibilidade internacional, solicitando também atenção às “avultadas dívidas internas”.

