A ministra das Finanças, Carla Loveira, apelou a um maior reforço da produção interna para reduzir a pressão sobre as importações e as reservas cambiais, no âmbito de medidas destinadas a garantir o abastecimento de combustível e a estabilidade financeira.
“Trata-se de criar capacidade produtiva suficiente para reduzir a pressão sobre os países, sobre as importações e sobre a necessidade de moeda estrangeira para financiar as facturas de importação. Este é, portanto, um dos aspectos que precisamos de considerar”, afirmou a governante à margem dos Encontros Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial, que decorreram em Washington, Estados Unidos da América (EUA).
A dirigente explicou que o Governo está a realizar uma avaliação conjunta envolvendo o banco central, os bancos comerciais e os operadores do sector energético, com o objectivo de garantir a disponibilidade de moeda estrangeira suficiente para atender às necessidades de importação de combustíveis.
Carla Loveira alertou, no entanto, para a necessidade de salvaguardar o impacto social e económico das medidas em consideração, particularmente face à potencial pressão sobre os combustíveis e as divisas estrangeiras, com efeitos directos nas famílias e nos consumidores.
“O País deve investir no fortalecimento dos sectores produtivos, particularmente a agricultura, como forma de reduzir a dependência externa e aliviar a pressão sobre a balança de pagamentos”, considerou.
Recentemente, o Banco de Moçambique (BdM) comunicou que as Reservas Internacionais Líquidas (RIL) dispararam em Fevereiro, para um novo recorde, de 4,2 mil milhões de dólares. Segundo a entidade, estas reservas correspondem a divisas em moeda estrangeira utilizadas para financiar a importação de bens e serviços essenciais para a economia nacional.
Os dados do banco central indicam que o nível recorde foi alcançado no final de 2025 e manteve-se praticamente estável no início deste ano. Entre Dezembro de 2025 e Janeiro de 2026, as RIL registaram uma ligeira subida, próxima de 1%, consolidando o patamar superior a 4,1 mil milhões de dólares.
O relatório mostra ainda que a trajectória de crescimento já vinha sendo observada nos meses anteriores. Em Setembro do ano passado, as reservas aumentaram 1%, atingindo 3,9 mil milhões de dólares, valor que se manteve em Outubro.
Antes disso, em Agosto do mesmo ano, o País tinha alcançado um máximo histórico de 4 mil milhões de dólares em RIL.
Apesar do reforço das reservas externas, empresários continuam a manifestar preocupações com a dificuldade de acesso a divisas na banca comercial, necessárias para a importação de matérias-primas e outros bens.

