Moçambique e a China acordaram aprofundar a cooperação económica, industrial e de segurança, incluindo a preparação de um acordo-quadro para garantir investimentos “de longo prazo, estáveis e previsíveis”, no quadro da adesão do País à chamada “comunidade de futuro partilhado na nova era”, informou esta terça-feira, 21 de Abril, a agência Lusa.
A decisão foi anunciada no final da visita do Presidente da República, Daniel Chapo, a Pequim, iniciada a 16 de Abril, e reflecte, segundo um comunicado conjunto, “o reforço da parceria estratégica global estabelecida entre os dois Estados em 2016”.
Cooperação económica e industrial em destaque
No documento, as partes sublinham que a relação bilateral “resistiu às mudanças internacionais” desde 1975, sendo hoje considerada “um exemplo da amizade sino-africana e da cooperação Sul-Sul”.
A China reiterou o apoio às prioridades de desenvolvimento de Moçambique para os períodos 2025-2029 e 2025-2044, comprometendo-se a impulsionar a industrialização e o crescimento inclusivo, com enfoque na redução da pobreza.
Os dois países concordaram em alinhar as suas estratégias nacionais com a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”, considerada central na política externa chinesa e orientada para o financiamento de infra-estruturas e reforço da integração económica.
Neste contexto, Pequim encorajou mais empresas chinesas a investir em Moçambique, visando a modernização das cadeias industriais e a promoção de um desenvolvimento “autónomo e sustentável”.
Energia, segurança e comércio reforçam parceria
Entre os sectores prioritários, o comunicado destaca o da energia, minerais, agricultura, infra-estruturas e economia digital, incluindo inteligência artificial e tecnologias móveis.
Na área energética e mineira, os dois lados defenderam o aprofundamento das parcerias existentes e apontaram novas oportunidades, como projectos de prospecção no norte do País, formação de quadros e cooperação geológica.
No sector agrícola, foi assumido o compromisso de reforçar a cooperação ao longo de toda a cadeia de valor, incluindo mecanização, irrigação, logística e formação técnica.
A China destacou ainda a aplicação de tarifas zero às exportações africanas e manifestou expectativa de que Moçambique aproveite esse regime para expandir as vendas externas, incluindo através de um “canal verde” para produtos agrícolas.
No plano político, o Governo reiterou “apoio incondicional” ao princípio de “uma só China”, reconhecendo Taiwan como parte integrante do território chinês.
No domínio da segurança, Pequim manifestou apoio aos esforços de Moçambique no combate ao terrorismo e comprometeu-se a reforçar a cooperação militar, incluindo formação, partilha de tecnologia e exercícios conjuntos, além de iniciativas em gestão de desastres e resposta a emergências.
O comunicado prevê ainda a continuidade do apoio chinês nas áreas da saúde e educação, com concessão de bolsas de estudo, envio de equipas médicas e desenvolvimento de infra-estruturas hospitalares, enquanto Daniel Chapo classificou a visita como um sucesso e convidou o Presidente chinês a visitar Moçambique.

