O ministro das Finanças da China, Lan Fo’an, anunciou a disponibilização de mais 700 milhões de yuans (102,3 milhões de dólares) sob a forma de subsídios, para implementação de projectos estruturantes em Moçambique, acrescentando que as áreas de prioridade serão definidas pelos governos dos dois países.
De acordo com um comunicado divulgado pelo Club of Mozambique, o anúncio foi feito durante um encontro com a ministra moçambicana das Finanças, Carla Loveira, no âmbito da visita oficial de Estado efectuada na semana passada pelo Presidente da República, Daniel Chapo.
A nota avançou ainda que, na reunião, as partes trocaram pontos de vista sobre a cooperação financeira e económica bilateral e outras questões relacionadas, sendo que o Governo chinês efectuou uma doação de 200 milhões de yuans (29,2 milhões de dólares).
Ainda naquele país asiático, Carla Loveira reuniu-se com o presidente da Agência Chinesa de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (CIDCA), Chen Xiaodong, com o objectivo de fortalecer os laços de cooperação. A interacção ocorreu à margem da 3.ª Conferência de Alto Nível do Fórum sobre Acção Global para o Desenvolvimento Compartilhado, realizada sob o tema “Orientação para a Acção: Construindo uma Comunidade Global de Desenvolvimento para Todos”.
“Moçambique está, neste momento, num momento de viragem. Temos 50 anos de cooperação com a China, as nossas relações políticas e diplomáticas são excelentes. Agora queremos abrir uma nova página para a cooperação económica e comercial”, declarou o governante durante uma mesa-redonda com governantes e empresários chineses.
No ano passado, o Governo chinês perdoou os juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até 2024 e anunciou a doação de 12 milhões de dólares para apoiar projectos de desenvolvimento no País. A primeira-ministra moçambicana, Benvida Levi, confirmou a informação após uma visita de dois dias à China.
“Tivemos duas notícias positivas vindas do Presidente chinês, Xi Jinping: uma delas foi a doação ao nosso país de 12 milhões de dólares e a outra o perdão dos juros dos empréstimos concedidos a Moçambique até 2024”, declarou.
No final do primeiro semestre, a dívida à China representava 15% do total do endividamento externo de Moçambique, que ascendia a 9,8 mil milhões de dólares, evidenciando o peso significativo do país asiático nas finanças nacionais.
Durante o mesmo período, Moçambique não registou desembolsos nem pagamentos do serviço da dívida a Portugal, cujo endividamento ascendia a 380,7 milhões de dólares. Entre os credores bilaterais, apenas o Japão apresentava um valor superior, com 405,5 milhões de dólares no final de Junho.

