A cidade de Maputo acolheu, recentemente, a segunda conferência “Mulheres nas Finanças”, um espaço de reflexão e partilha sobre os desafios e oportunidades da inclusão financeira feminina, com enfoque no papel dos dados e das tecnologias digitais, que teve como tema “Partilhe Dados e Conquiste a Inclusão: Promover a Inclusão Financeira das Mulheres Através do Empoderamento Digital.”
Durante o evento, organizado pela FSDMoç, em parceria com o Banco Mundial, a directora executiva da FSDMoç, Esselina Macome, citada num comunicado de imprensa, destacou que, apesar dos progressos registados, persistem desafios estruturais na inclusão económica das mulheres, sobretudo no que respeita à sua participação em cargos de liderança.
“Apenas 16% das mulheres estão representadas nos conselhos de administração e 20% nas comissões executivas. Trata-se de um avanço, mas há ainda um longo caminho a percorrer. A inclusão financeira das mulheres não é apenas uma questão de equidade, mas uma condição essencial para o desenvolvimento económico e sustentável do país”, afirmou.
Foi igualmente sublinhada a necessidade de uma abordagem mais intencional no acesso ao crédito e na utilização estratégica de dados digitais para o desenvolvimento de soluções financeiras sensíveis ao género.
Por sua vez, o administrador-delegado do Standard Bank, Bernardo Aparício, que integrou um dos painéis dedicados ao tema, apresentou dados que evidenciam o desfasamento entre a utilização de serviços financeiros e o acesso ao financiamento por parte das mulheres.
“Em Moçambique, 64% das mulheres continuam excluídas dos serviços financeiros formais. Nas zonas rurais, apenas 9% têm acesso à Internet e somente 3,1% têm acesso a um computador. Isto não é apenas um desafio social, mas um desafio económico estrutural.”
Ivete Alane, ministra do Trabalho, Género e Acção Social
“Entre os nossos clientes activos, a representatividade feminina situa-se nos 48%, aproximando-se da paridade, mas apenas 22% do crédito é concedido a mulheres. Este é, provavelmente, o dado mais relevante, uma vez que o acesso ao financiamento continua a ser um dos principais factores que condicionam a participação económica feminina”, afirmou, sublinhando que a diferença entre os 48% de utilização activa e os 22% de financiamento constitui um indicador claro do fosso existente no sistema.
A conferência contou também com a presença da ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, que presidiu à sessão de abertura, sublinhando a dimensão do desafio da inclusão financeira no país, particularmente nas zonas rurais.
“Em Moçambique, 64% das mulheres continuam excluídas dos serviços financeiros formais. Nas zonas rurais, apenas 9% têm acesso à Internet e somente 3,1% têm acesso a um computador. Isto não é apenas um desafio social, mas um desafio económico estrutural. As mulheres são uma força económica central no nosso país, mas continuam fora dos sistemas que permitem crescer, investir e expandir”, afirmou.
A governante recordou ainda que a inclusão financeira das mulheres constitui uma prioridade nacional, salientando que “incluir mulheres no sistema financeiro não é assistência, mas crescimento económico inteligente”.
De acordo com a mesma nota, a conferência reforçou a importância da colaboração entre os diferentes actores do ecossistema financeiro e institucional, com vista à construção de soluções que promovam maior inclusão, equidade e participação económica das mulheres em Moçambique.
