O Banco de Moçambique (BdM) está a reforçar a sua aposta na inovação financeira e na transformação digital do sistema financeiro nacional, numa altura em que a digitalização dos pagamentos, os serviços financeiros instantâneos e as fintechs assumem crescente relevância na reorganização da actividade bancária e financeira global.
O posicionamento foi reiterado na última sexta-feira (15) pelo governador do BdM, Rogério Zandamela, durante o lançamento da 7.ª edição do Sandbox Regulatório do Banco de Moçambique, iniciativa criada para apoiar testes controlados de soluções tecnológicas inovadoras ligadas ao sector financeiro.
Na sua intervenção, Rogério Zandamela, citado pelo Observatório Económico (O.E), afirmou que o Sandbox Regulatório se consolidou, ao longo das suas diferentes edições, como um espaço de promoção da inovação financeira orientada para o fortalecimento de “um sistema financeiro cada vez mais sólido, moderno e inclusivo”.
Zandamela destacou que o sistema financeiro mundial atravessa actualmente uma transformação acelerada impulsionada pela digitalização, pelos pagamentos instantâneos e pelas novas plataformas tecnológicas de prestação de serviços financeiros. Esta evolução, segundo o banco central, cria simultaneamente novas oportunidades de inclusão financeira, eficiência operacional e modernização económica, mas também desafios acrescidos ligados à regulamentação, segurança cibernética, supervisão prudencial e protecção dos consumidores financeiros.
O governante destacou, entre as principais medidas recentes do BdM, a aprovação da nova Lei do Sistema Nacional de Pagamentos e a implementação da plataforma METIX, sistema que permite a realização de transferências bancárias em tempo real.
A modernização dos sistemas de pagamentos tornou-se uma das prioridades centrais do Banco de Moçambique nos últimos anos, sobretudo num contexto em que a digitalização financeira passa a ser vista não apenas como instrumento tecnológico, mas também como mecanismo de inclusão económica, formalização financeira e dinamização da economia digital.
O reforço das plataformas interoperáveis e instantâneas é igualmente considerado estratégico para expansão do comércio electrónico, crescimento das fintechs e redução da dependência do numerário na economia.
Dirigindo-se aos participantes da nova edição do Sandbox, Rogério Zandamela apelou às empresas tecnológicas para cumprirem integralmente os requisitos regulamentares e de licenciamento definidos pelo Banco Central, defendendo uma integração “responsável” no ecossistema nacional de pagamentos. “A confiança é o activo mais importante em todo o processo de inovação financeira”, destacou.
A formulação reflecte uma preocupação crescente dos bancos centrais internacionais relativamente aos riscos associados à expansão acelerada de plataformas digitais financeiras, incluindo fraude, cibercriminalidade, lavagem de dinheiro, protecção de dados e estabilidade sistémica.
Nesta edição, algumas das soluções tecnológicas apresentadas incluem ferramentas orientadas para pessoas com deficiência visual, sinalizando uma crescente preocupação com inclusão financeira acessível e inovação social.
Por seu turno, o presidente da Associação Moçambicana das Fintechs, João Gaspar, destacou os avanços alcançados pelo ecossistema fintech nacional ao longo dos últimos anos. Segundo afirmou, algumas fintechs nacionais passam agora a ter possibilidade de integração na SIMOrede, aspecto considerado particularmente relevante para reforçar interoperabilidade, integração tecnológica e utilização mais ampla dos serviços financeiros digitais no País.
Para João Gaspar, a integração das fintechs em infra-estruturas financeiras nacionais interoperáveis poderá representar uma mudança importante na escala operacional destas empresas, permitindo-lhes expandir serviços, aumentar cobertura e acelerar a adopção de soluções digitais por consumidores e empresas.
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