BCI Fecha 2025 Com Queda Acentuada Nos Lucros • Diário Económico

O Banco Comercial e de Investimentos (BCI), maior banco moçambicano em activos, crédito e depósitos, registou uma redução de 40,3% nos lucros em 2025, encerrando o exercício com um resultado líquido equivalente a 57 milhões de dólares, pressionado pelo reforço das imparidades sobre a exposição à dívida pública e por custos extraordinários associados a processos de devolução de comissões, segundo informou a Lusa.

De acordo com o relatório e contas da instituição, o desempenho foi afectado por factores considerados não recorrentes, nomeadamente o agravamento do risco soberano e os ajustamentos efectuados sobre posições ligadas à dívida pública. Ainda assim, a administração sustenta que os resultados permaneceram em níveis considerados sólidos.

O banco refere igualmente que manteve a posição de liderança no sistema bancário nacional, servindo cerca de 2,5 milhões de clientes durante 2025. A redução dos lucros prolonga a trajectória descendente iniciada no ano anterior. Em 2024, o resultado líquido tinha recuado para 95,6 milhões de dólares, depois do máximo histórico registado em 2023, quando o banco alcançou 129,6 milhões de dólares.

Ao nível operacional, o activo total cresceu 3,96% em 2025, para 3,8 mil milhões de dólares. Deste montante, o crédito bruto a clientes totalizou 1,1 mil milhões de dólares, representando uma redução de 7,59% face ao ano anterior, enquanto os depósitos aumentaram 4,47%, para 3 mil milhões de dólares.

O produto bancário registou igualmente crescimento, aumentando 4,23%, para 355,5 milhões de dólares até Dezembro. Em contrapartida, o rácio de crédito em incumprimento, segundo os critérios do Banco de Moçambique, agravou-se em 3,21 pontos percentuais, fixando-se em 14,18%.

Em termos de quotas de mercado, o BCI manteve a liderança nos depósitos, com 24,32% do total do sector bancário, no crédito, com 24,64%, e nos activos, com 21,96%. O banco encerrou o ano com 211 agências e 2702 trabalhadores.

No relatório, a administração sublinha que a instituição continua a deter “a presença mais extensa e capilar do sistema financeiro”, acrescentando que os indicadores reflectem uma relação de confiança construída ao longo do tempo e sustentada por uma presença próxima dos clientes.

O BCI conta com um capital social equivalente a 158 milhões de dólares e apresenta uma estrutura accionista liderada pela Caixa Participações, do grupo Caixa Geral de Depósitos (51%), seguida pelo banco português BPI (35,67%) e pela participação directa da Caixa Geral de Depósitos (10,51%).

No início de Maio, em Maputo, o presidente da comissão executiva da Caixa Geral de Depósitos, Paulo Macedo, reafirmou junto do Presidente da República, Daniel Chapo, o interesse do grupo português em manter presença em Moçambique através do BCI.

Segundo Paulo Macedo, a continuidade da participação dependerá do entendimento com as autoridades nacionais e da manutenção de condições que permitam ao grupo permanecer no mercado moçambicano.

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