Dívida Pública Pesa Nos Resultados do Millennium bim • Diário Económico

a d v e r t i s e m e n t

O Millennium bim registou uma queda acentuada dos lucros em 2025, encerrando o exercício com resultados líquidos de 2,7 milhões de dólares, o que compara com os 44,6 milhões de dólares alcançados em 2024. O desempenho foi fortemente condicionado pelo reconhecimento de imparidades relacionadas com a dívida pública e pelo agravamento do risco de crédito, segundo o relatório e contas da instituição.

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De acordo com a Lusa, o banco constituiu 79,5 milhões de dólares em imparidades associadas à exposição à dívida soberana, medida que teve impacto significativo na evolução dos resultados do exercício.

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De acordo com a administração, o agravamento decorreu, entre outros factores, do corte do rating da dívida soberana de Moçambique, situação que obrigou ao reconhecimento de perdas adicionais sobre activos relacionados com o Estado. “No exercício em análise, registaram-se impactos relevantes na evolução dos resultados decorrentes do reconhecimento de imparidades adicionais associadas à dívida pública”, refere o relatório.

A instituição financeira explica ainda que a redução dos lucros foi igualmente influenciada pelo aumento da imparidade de crédito, associado ao crescimento da probabilidade de incumprimento em determinados segmentos da carteira. Segundo o banco, este comportamento reflectiu tanto o contexto macroeconómico adverso como a reavaliação dos modelos internos de gestão de risco.

A forte quebra dos resultados em 2025 ocorreu depois de o banco já ter registado uma redução de 54% nos lucros em 2024 face ao exercício anterior, quando o resultado líquido tinha atingido 97,2 milhões de dólares. Perante este desempenho, o Millennium bim decidiu aplicar integralmente os resultados obtidos em reservas livres e legais, mantendo a opção de não distribuir dividendos aos accionistas pelo segundo ano consecutivo.

Apesar da deterioração dos lucros, alguns indicadores operacionais mantiveram evolução positiva. O produto bancário cresceu 6,5%, alcançando 259,2 milhões de dólares. Por sua vez, o crédito líquido concedido a clientes aumentou 9,14%, fixando-se em 664 milhões de dólares, enquanto os recursos captados junto dos clientes cresceram 2,65%, totalizando 2,1 mil milhões de dólares.

Já o activo total do banco registou uma ligeira redução de 0,53%, encerrando o ano em 2,7 mil milhões de dólares, ao passo que os capitais próprios permaneceram praticamente inalterados nos 467 milhões de dólares. No que respeita à qualidade dos activos, o rácio de crédito em incumprimento melhorou para 2,68% em Dezembro, abaixo dos 2,92% registados no ano anterior, dos 3,08% observados em 2023 e dos 7,85% registados em 2022.

Ainda assim, o crédito vencido há mais de 90 dias coberto por imparidades aumentou significativamente ao longo do último ano. Apesar do contexto económico interno e internacional adverso, a administração sustenta que o banco preservou uma posição financeira sólida. “Não obstante este desempenho, o banco manteve níveis de solvabilidade significativamente acima do mínimo regulamentar, reflectindo a robustez dos fundos próprios e a capacidade de absorção de choques adversos”, lê-se na mensagem da administração.

O Millennium bim iniciou actividade em Outubro de 1995, no âmbito de uma parceria estratégica entre o Banco Comercial Português e o Estado moçambicano. Em 2025, encerrou o exercício com 2678 trabalhadores e uma base de aproximadamente 2,3 milhões de clientes.

À data de 31 de Dezembro de 2025, o capital social da instituição ascendia a 60,6 milhões de dólares, sendo maioritariamente detido pelo BCP África, com 66,6%, seguido pelo Estado de Moçambique, com 17,1%, pelo Instituto Nacional de Segurança Social, com 4,9%, e pela Empresa Moçambicana de Seguros, com 4,1%.

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