A Associação Moçambicana de Bancos (AMB) anunciou esta sexta-feira (29) a manutenção da taxa de juro de referência para o crédito em 15,50% durante o mês de Junho. Trata-se do segundo mês consecutivo sem alterações, após três reduções registadas desde o início deste ano.
Conhecida como ‘prime rate’, a taxa vinha a descer progressivamente desde Janeiro de 2024, depois de ter permanecido durante seis meses consecutivos no máximo de 24,1%. Em Janeiro deste ano, a AMB reduziu-a em 10 pontos base, fixando-a em 15,70%.
Em Fevereiro, a taxa manteve-se inalterada, apesar da redução da taxa directora decidida pelo Banco de Moçambique (BdM). Em Março e Abril registaram-se novos cortes de 10 pontos base, antes da estabilização observada em Maio e agora prolongada para Junho.
As variações da ‘prime rate’ estão ligadas à taxa MIMO, utilizada pelo BdM como principal instrumento de política monetária para controlar a inflação, influenciando directamente a fórmula de cálculo aplicada pelos bancos comerciais na definição do custo do crédito.
Antes desta decisão da AMB, o Banco de Moçambique optara, na segunda-feira, por manter a taxa MIMO em 9,25%, anunciando simultaneamente o aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitindo que a inflação poderá atingir dois dígitos devido à crise dos combustíveis.
“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e dos alimentos”, explicou o governador do banco central, Rogério Zandamela, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), realizada em Maputo.
O órgão decidiu manter a taxa MIMO inalterada, tal como já havia acontecido em Março, após 12 cortes consecutivos ao longo de 24 meses, iniciados em Janeiro de 2024. Adicionalmente, o CPMO aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional de 29% para 39% dos depósitos que os bancos comerciais devem manter junto do banco central. Segundo Zandamela, a medida visa “absorver a liquidez excedentária no sistema bancário, susceptível de gerar maior pressão inflacionária”.
O governador anunciou ainda que a previsão de inflação foi “revista em alta”. Em Abril, a inflação anual fixou-se em 4,4%, após os 3,4% registados em Março. “No curto e médio prazo, antevê-se uma aceleração da inflação, podendo atingir dois dígitos, dependendo da duração do conflito no Médio Oriente”, alertou.

