BdM: Estado Continua Sem Assumir Flutuações Cambiais Desde 2005 • Diário Económico

O auditor independente às contas do Banco de Moçambique (BdM) de 2025 voltou a alertar que o Estado não assume, desde 2005, os saldos das flutuações cambiais da instituição. A observação está no relatório da Forvis Mazars, que acompanha as demonstrações financeiras de 2025.

De acordo com o documento, a situação mantém-se em incumprimento da Lei Orgânica do BdM. Esta determina que os saldos devedores das flutuações cambiais devem ser assumidos pelo Estado através da emissão de dívida pública a favor do banco central.

“Continuamos a constatar que o Estado moçambicano não assume as suas responsabilidades desde o exercício de 2005”, refere o auditor no capítulo de “base para opinião com reservas”.

Segundo o relatório, o montante acumulado destas flutuações ascende a 128,9 mil milhões de meticais a 31 de Dezembro de 2025. No ano anterior, o valor era de 115,4 mil milhões de meticais (1,5 mil milhões de euros), o que indica um agravamento da situação.

Além disso, o banco central não registou nas suas demonstrações financeiras individuais e consolidadas os juros e rendimentos associados a esta dívida do Estado, estimados em 27,7 mil milhões de meticais (372 milhões de euros), segundo o mesmo relatório.

Esta situação levou o auditor independente a emitir uma vez mais uma opinião com reservas. O relatório aponta limitações na validação de algumas rubricas ligadas às flutuações cambiais.

Em 2025, o governador do BdM, Rogério Zandamela, comentou o tema, sublinhando que a decisão não depende do banco central. “Se o Estado vai ou não vai emitir títulos para lidar com isso, essa não é uma pergunta que nos cabe responder, porque não depende de nós”, afirmou.

O relatório conclui ainda que o BdM registou prejuízos de 13,3 mil milhões de meticais (179,2 milhões de euros) em 2025, mais do triplo das perdas de 4,1 mil milhões de meticais (55,7 milhões de euros) registadas no ano anterior.

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