UNICEF Alerta: Situação Das Crianças no País Continua Marcada Por “Crises Sobrepostas” • Diário Económico

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) alertou nesta segunda-feira, 1 de Junho, que a situação das crianças em Moçambique continua “profundamente marcada por crises sobrepostas”, com a desnutrição, a pobreza e as uniões prematuras entre os principais desafios.

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“A situação das crianças em Moçambique continua a ser profundamente marcada por crises sobrepostas: conflito armado, choques climáticos, surtos de doenças e pobreza que afectam simultaneamente a sobrevivência, a aprendizagem e a protecção das crianças”, avançou a entidade citada pela Lusa.

No relatório emitido por ocasião do Dia Mundial da Criança, a agência das Nações Unidas lembrou que cerca de 1,8 milhão de pessoas em Moçambique, incluindo um milhão de crianças, necessitam este ano de assistência urgente, num contexto de elevada vulnerabilidade climática e de segurança, alertando que esta combinação de factores torna a infância particularmente exposta a múltiplas formas de privação e risco.

“Entre os principais desafios, destacam-se a desnutrição, a pobreza, a violência contra crianças, o acesso desigual aos serviços básicos e práticas nocivas como as uniões prematuras e a gravidez precoce, o conflito no norte, que mantém mais de 400 mil deslocados, mais de metade crianças, e os choques climáticos”, descreveu.

A UNICEF alertou ainda que 70% das escolas se encontram em zonas de alto risco climático, com as cheias recentes a afastarem milhares de crianças da escola e a aumentarem o risco de uniões prematuras, trabalho infantil e exploração.

“A violência também continua a ser uma preocupação séria: dados disponíveis indicam que uma em cada sete raparigas e um em cada 12 rapazes sofreu violência sexual antes dos 18 anos, enquanto quase uma em cada quatro raparigas e mais de um em cada três rapazes relataram violência física na infância. Além disso, 2,1 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar”, acrescentou.

Apesar dos enormes desafios, a agência da ONU descreveu que Moçambique registou avanços importantes em áreas essenciais para a infância: só no ano passado, 19,3 milhões de crianças foram alcançadas em campanhas nacionais de vacinação contra a pólio e 2,97 milhões de raparigas foram vacinadas contra a infecção por papilomavírus humano.

“Assim, 65 756 crianças foram tratadas por desnutrição aguda grave, com uma taxa de cura de 79%; na educação, 262 711 crianças tiveram acesso à aprendizagem em zonas afectadas por crises. No que diz respeito à protecção social, foram registados 774 857 nascimentos, 276 337 crianças e cuidadores receberam apoio psicossocial e 392 crianças associadas a grupos armados beneficiaram de apoio à reintegração”, descreveu.

Contudo, apesar dos avanços, o Fundo sublinhou que as uniões prematuras continuam entre as áreas que exigem maior intervenção, sustentando que quase metade das raparigas casa antes dos 18 anos, comprometendo a escolaridade e expondo-as à gravidez precoce. “As raparigas que têm filhos muito cedo correm maior risco de mortalidade materna, e os seus filhos têm maior risco de morrer, de sofrer desnutrição e de crescer também na pobreza, perpetuando o ciclo de privação.”

Para a UNICEF, as prioridades de actuação passam por salvar vidas e assegurar a continuidade dos serviços essenciais para as crianças, sobretudo em contexto de emergência, incluindo o reforço da resposta nutricional, o acesso à saúde, educação, água potável e protecção, bem como a preparação para futuras crises.

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