Xenofobia na África do Sul: Governo Garante Assistência à 600 Cidadãos Nacionais em Ressano Garcia • Diário Económico

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O Governo activou, no posto fronteiriço de Ressano Garcia, no distrito da Moamba, província de Maputo, uma operação de emergência para acolher cerca de 600 cidadãos nacionais que regressam da África do Sul na sequência de recentes episódios de violência xenófoba, informou a Agência de Informação de Moçambique.

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Segundo o órgão, a resposta humanitária, coordenada pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), incluiu procedimentos de registo, avaliação médica, distribuição de alimentação e organização de transporte para diferentes pontos do País.

Após a chegada, os cidadãos foram encaminhados para as suas províncias de origem, com maior incidência para Maputo e Gaza, no Sul, e também Manica e Sofala, no centro do País.

De acordo com o vice-presidente do INGD, Belém Monteiro, “o dispositivo montado pelo Executivo visa assegurar condições mínimas de dignidade aos regressados, desde o primeiro contacto na fronteira até à chegada às comunidades de origem”.

Segundo explicou, a operação foi previamente estruturada para responder ao fluxo de repatriados, garantindo assistência imediata e posterior apoio de reintegração familiar.

O responsável referiu que, “após a triagem inicial, os cidadãos receberam refeições e foram integrados em rotas de transporte previamente organizadas, sendo ainda apoiados com kits alimentares destinados a cobrir um período estimado entre 10 e 15 dias”.

Belém Monteiro indicou igualmente que parte significativa dos repatriados já tinha sido encaminhada no momento da sua intervenção, num processo que abrange centenas de cidadãos identificados para retorno ao País.

O balanço provisório apresentado aponta para a ocorrência de vítimas mortais no contexto dos ataques registados na África do Sul, situação que o Governo acompanha através das suas representações diplomáticas.

Entre os repatriados encontram-se mulheres e crianças, incluindo casos de elevada vulnerabilidade, como recém-nascidos, o que exigiu reforço das equipas de apoio psicossocial e humanitário no terreno.

Os relatos recolhidos junto dos cidadãos descrevem episódios de destruição de habitações, perda de bens e fuga precipitada para zonas seguras.

Após a triagem inicial, os cidadãos receberam refeições e foram integrados em rotas de transporte previamente organizadas, sendo ainda apoiados com kits alimentares destinados a cobrir um período estimado entre 10 e 15 dias

Belém Monteiro

Um dos jovens entrevistados pela AIM, natural da província de Maputo, afirmou ter abandonado praticamente todos os seus pertences para salvar a vida, relatando incêndios e ataques contra comunidades.

Outro repatriado, proveniente da província de Gaza, referiu que apenas conseguiu recuperar documentos pessoais antes de ser retirado da zona de risco com apoio das autoridades locais.

Há ainda casos de cidadãos que regressam sem qualquer património acumulado ao longo de meses de trabalho, manifestando preocupação com a reintegração social e económica no País.

Em Ressano Garcia, o administrador do distrito da Moamba, Carlos Mussanhane, apelou ao reforço da solidariedade e da convivência pacífica entre povos da região, sublinhando a importância do respeito pelos direitos humanos e pela dignidade dos trabalhadores migrantes.

O dirigente destacou ainda que o Governo continuará a prestar apoio aos afectados e a acompanhar a evolução da situação, em articulação com as autoridades sul-africanas e as estruturas diplomáticas moçambicanas.

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