Consultora Prevê Acordo Com FMI Até Final de Junho • Diário Económico

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O Presidente Daniel Chapo classificou como “corajosa” a liquidação de toda a dívida de 698 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas a consultora Oxford Economics considera-a “um sinal de desespero”.

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Esta corajosa decisão deve ser vista de forma positiva e estratégica, como um sinal inequívoco da responsabilidade macroeconómica e do reforço da estabilidade internacional de Moçambique. E porque, igualmente, a dignidade de um povo não tem preço”, disse Daniel Chapo. O chefe do Estado quer reforçar “a parceria estratégica com o FMI e outros parceiros”, numa base “mutuamente vantajosa e de respeito recíproco entre as partes”.

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Ao mesmo tempo, a ministra das Finanças moçambicana, Carla Loveira, garantiu que a decisão de liquidar a dívida junto do FMI não compromete as instituições do Estado, “uma vez que não foi feita com recurso ao orçamento do Estado”.

A sustentabilidade da dívida pode passar por mecanismos de apoio externo

A consultora Oxford Economics tem uma análise diferente: considerou que o pagamento da dívida é “um sinal de desespero” devido à necessidade de ajuda financeira externa, sendo “uma tentativa ousada” de garantir financiamento. “Liquidar a dívida antecipadamente e na totalidade é normalmente considerado uma medida financeiramente responsável e, como tal, seria fácil interpretar a última medida de Moçambique como um sinal de prudência fiscal; no entanto, é mais correcto reinterpretar as acções do País como um sinal de desespero”, escrevem os analistas.

Pressões sobre as contas do País

A consultora prevê que um acordo de empréstimo seja finalizado no segundo trimestre de 2026, alertando que “um novo empréstimo elevará a dívida pública do País para 125% do PIB, antes que os efeitos diferidos da consolidação orçamental a reduzam, a médio prazo”. No comentário enviado aos clientes, a que a Lusa teve acesso, a Oxford Economics considera que “há uma certa ironia no recente pagamento da dívida de Moçambique ao FMI” e lembra que este país lusófono africano “enfrenta pressões orçamentais e externas consideráveis devido a um imenso peso da dívida pública e a uma moeda sobrevalorizada”.

De acordo com a análise sobre a sustentabilidade da dívida, feita pelo FMI, Moçambique está em sobreendividamento (‘debt distress’, no original em inglês) e necessita de ajuda internacional, seja através de doadores, empréstimos ou emissões de dívida, para equilibrar o orçamento.

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