O agravamento do conflito no Médio Oriente deverá pressionar a inflação, aumentar os custos dos combustíveis e reduzir o ritmo de crescimento económico de Moçambique nos próximos meses, aponta um estudo da Associação dos Empresários Europeus em Moçambique (EuroCam). Ainda assim, a organização considera que os fundamentos económicos do País permanecem favoráveis para uma recuperação gradual, sobretudo a partir de 2026.
As declarações foram feitas pelo economista Egas Daniel durante a apresentação do estudo “Quadro Macroeconómico, Riscos e Oportunidades para 2026”, esta segunda-feira, 8 de Junho, na Conferência Empresarial Moçambique-Itália, onde o especialista alertou que o cenário internacional mudou significativamente face às previsões iniciais do ano, sobretudo devido ao aumento dos preços do petróleo e dos fertilizantes.
“O cenário acaba por alterar-se completamente. O preço do barril de petróleo que se previa em cerca de 65 dólares já não corresponde à realidade, e isso terá um impacto inevitável para Moçambique”, afirmou Egas Daniel, lembrando que o País continua dependente da importação de combustíveis. Segundo o economista, “a transmissão desse choque para Moçambique é inevitável”, devido ao peso dos combustíveis nas importações nacionais.
Egas Daniel advertiu igualmente para uma provável aceleração da inflação, impulsionada sobretudo pelo encarecimento dos alimentos. “A inflação dos alimentos tende sempre a ser superior à inflação geral e há uma tendência inevitável de aumento do custo do cabaz básico”, disse, acrescentando que a inflação poderá voltar aos dois dígitos caso o actual choque externo persista.
Apesar dos riscos, o economista defendeu que a desaceleração do crescimento económico é temporária e que os indicadores apontam para uma trajectória mais favorável nos próximos anos. “Estamos a conversar num momento de queda temporária do crescimento económico, mas as projecções para os próximos anos são extremamente encorajadoras”, sublinhou.
No que respeita ao financiamento à economia, Egas Daniel reconheceu os esforços do Banco de Moçambique na redução das taxas de juro, mas considerou que os benefícios ainda não chegaram plenamente ao sector produtivo. “A diminuição das taxas de juro deveria favorecer maior acesso ao crédito produtivo, mas, por alguma razão, ela não conseguiu transmitir-se à economia”, explicou.
O especialista apontou ainda a agricultura como um dos sectores com maior potencial, mas também dos menos financiados. “A agricultura representa cerca de 21% da economia, mas recebe apenas uma pequena parcela do crédito, o que mostra um elevado potencial ainda por explorar”, observou.
Ainda assim, Egas Daniel mostrou-se optimista quanto ao futuro económico do País, destacando reformas em curso, o novo programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e sinais de maior atracção do investimento privado. “Apesar do risco elevado, os fundamentos do retorno do investimento continuam fortes e os sinais animadores sobrepõem-se aos riscos”, concluiu.
Texto: Germano Ndlovo

