O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu esta terça-feira (9) uma nova etapa na relação entre Moçambique e a União Europeia (UE), assente na industrialização, criação de emprego e geração de valor acrescentado, argumentando que a cooperação entre as duas partes deve ir além da exploração e exportação de recursos naturais.
Intervindo na abertura do 2.º Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia (Global Gateway), que decorre em Maputo entre 9 e 10 de Junho, o chefe do Estado afirmou que Moçambique pretende aprofundar a parceria com a UE através de investimentos capazes de impulsionar a transformação económica do País e criar oportunidades para a população.
“A União Europeia continua a ser um dos principais parceiros económicos e comerciais da República de Moçambique, desempenhando um papel relevante no investimento, no comércio e no financiamento ao desenvolvimento. Hoje, porém, queremos elevar esta relação para um novo patamar, através de uma parceria que vá além da extracção de recursos e que avance para a criação conjunta de valor”, afirmou.
Segundo Daniel Chapo, a estratégia passa por transformar o potencial económico nacional em benefícios concretos para os cidadãos, promovendo a industrialização, a transferência de tecnologia, a capacitação da mão-de-obra e o fortalecimento do sector privado nacional. A posição surge numa altura em que o Governo tem vindo a implementar novas medidas destinadas a incentivar o processamento local de recursos naturais e a aumentar a participação das empresas moçambicanas nos grandes projectos de investimento.
O Presidente destacou que Moçambique atravessa uma fase que considerou decisiva para o seu desenvolvimento económico, sustentada por reformas orientadas para a melhoria do ambiente de negócios, estabilidade macroeconómica e fortalecimento das instituições.
“Estamos a construir um Estado cada vez mais dialogante, mais facilitador, mais eficiente e mais orientado para resultados, porque acreditamos que o crescimento económico sustentável exige instituições fortes, confiança dos investidores, previsibilidade jurídica e estabilidade regulatória”, declarou.
De acordo com o chefe do Estado, desde 2025 o Executivo tem vindo a implementar um conjunto de reformas destinadas a consolidar as finanças públicas, simplificar procedimentos administrativos, reforçar a transparência e aumentar a competitividade da economia.
Entre as medidas destacadas figuram as reformas tributárias e aduaneiras, a Estratégia de Mobilização de Receitas 2025-27, a Estratégia de Gestão da Dívida Pública 2025-29, a criação do Banco de Desenvolvimento e do Fundo de Garantia Mútuo, bem como iniciativas voltadas para a digitalização dos serviços públicos e melhoria do ambiente de investimento.

Daniel Chapo defendeu igualmente que a industrialização deve ocupar um lugar central na estratégia de desenvolvimento nacional, permitindo transformar recursos naturais em produtos com maior valor acrescentado e gerar mais emprego para os moçambicanos. “O nosso objectivo é transformar os megaprojectos em motores do desenvolvimento nacional, promovendo emprego qualificado, transferência de tecnologia e fortalecimento das pequenas e médias empresas”, sublinhou.
O Presidente recordou que centenas de milhares de jovens entram anualmente no mercado de trabalho e considerou que esta realidade representa uma oportunidade para acelerar o crescimento económico. “A juventude não representa um problema. É um activo para transformar esta economia. Esta força precisa de investimento, tecnologia, formação e oportunidades. Queremos produzir mais em Moçambique, transformar mais em Moçambique e exportar mais produtos com valor acrescentado”, afirmou.
Durante a sua intervenção, Daniel Chapo destacou ainda o potencial estratégico dos corredores de desenvolvimento de Maputo, Beira e Nacala, bem como a posição geográfica do País como plataforma logística para a África Austral.
O chefe do Estado apontou igualmente a iniciativa Global Gateway como um instrumento importante para aprofundar a cooperação económica entre Moçambique e a União Europeia, sobretudo em áreas como energia, infra-estruturas, transformação digital, conectividade regional, desenvolvimento do capital humano e industrialização sustentável. Segundo o Presidente, Moçambique tem conseguido mobilizar compromissos significativos de investimento para projectos estruturantes, registando um crescimento de 60% no Investimento Directo Estrangeiro no último ano.
Contudo, advertiu que o sucesso destes compromissos deve ser medido pela sua capacidade de gerar empregos, impulsionar empresas e produzir resultados concretos na economia. “A próxima etapa da nossa parceria deve ser marcada não apenas pela mobilização de recursos, mas também pelo reforço dos mecanismos de implementação, coordenação e desembolso para que os investimentos se traduzam em resultados concretos”, defendeu.
Daniel Chapo reiterou ainda que Moçambique não procura apenas transacções financeiras, mas parcerias de longo prazo que contribuam para a transformação económica e social do País, promovendo industrialização, inovação, inclusão e desenvolvimento sustentável.
O Presidente destacou igualmente os avanços registados nos projectos energéticos em curso, incluindo os desenvolvimentos de gás natural na bacia do Rovuma, manifestando expectativa quanto à aprovação, ainda este ano, da decisão final de investimento de um projecto avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, considerado um dos maiores investimentos privados previstos para África.
O discurso foi proferido durante a abertura do 2.º Fórum de Negócios Moçambique–União Europeia, evento que reúne representantes governamentais, empresários, investidores, instituições financeiras de desenvolvimento, parceiros de cooperação e associações empresariais para discutir oportunidades de investimento, financiamento e desenvolvimento económico no âmbito da iniciativa Global Gateway.
Texto: Felisberto Ruco
