INE: Subida Dos Combustíveis Fez Subir Inflação Para 7,22% • Diário Económico

A inflação homóloga em Moçambique acelerou para 7,2% em Maio, impulsionada sobretudo pelo aumento dos preços dos combustíveis e dos transportes, segundo dados divulgados esta quarta-feira (10) pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com a Lusa, que cita o Índice de Preços no Consumidor (IPC), os preços registaram uma subida mensal de 2,32% em Maio, valor significativamente superior aos 0,63% observados em Abril.

O INE indica que os sectores dos transportes e da alimentação e bebidas não alcoólicas foram os que mais contribuíram para a aceleração dos preços, representando 1,80 e 0,32 pontos percentuais da variação mensal, respectivamente.

A evolução dos preços ocorre após os ajustamentos dos combustíveis introduzidos a 7 de Maio, numa altura em que o País enfrentava constrangimentos no abastecimento devido aos impactos do conflito no Médio Oriente sobre os mercados internacionais de energia. Na ocasião, o preço do gasóleo aumentou 45,5%, enquanto a gasolina registou uma subida de 12,1%.

Além dos combustíveis, o relatório destaca aumentos nos preços dos transportes semicolectivos urbanos e suburbanos de passageiros, que subiram 11,9%, dos transportes rodoviários de longo curso, com uma variação de 26,3%, e dos serviços de táxi, que registaram um aumento de 23,5%.

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Dados do INE indicam que a inflação acumulada desde Janeiro atingiu 5,19%

Entre os produtos alimentares, o peixe fresco e o tomate figuraram entre os principais responsáveis pela subida dos preços, com aumentos de 11,7% e 5,7%, respectivamente. Em conjunto, estes produtos e serviços contribuíram com cerca de 2,10 pontos percentuais para a inflação mensal.

Os dados do INE indicam ainda que a inflação acumulada desde Janeiro atingiu 5,19%, reflectindo uma tendência de aceleração dos preços ao longo dos primeiros cinco meses do ano. O desempenho contrasta com o registado em 2025, quando a inflação anual se fixou em 3,23%, abaixo dos níveis observados em 2024 e das projecções do Governo.

Perante as pressões inflacionistas, o Banco de Moçambique decidiu, em Maio, manter a taxa de juro de política monetária, conhecida como MIMO, em 9,25%. Na mesma ocasião, o banco central reforçou as reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação poderá atingir níveis de dois dígitos caso persistam os efeitos da crise dos combustíveis provocada pelo conflito no Médio Oriente.

Segundo o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, a decisão reflecte as incertezas em torno da duração do conflito e dos seus impactos sobre a cadeia logística internacional, a disponibilidade de bens e a evolução dos preços dos combustíveis e alimentos.

A evolução da inflação continuará a ser acompanhada de perto pelas autoridades monetárias, numa altura em que o Governo mantém a previsão de uma taxa de inflação em torno de 7% para 2026.

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