CEO TALKS: “Queremos Ser um dos Principais Bancos no País”, Chiwetalu Obikwelu, Access Bank • Diário Económico

a d v e r t i s e m e n t

Com presença consolidada em África, o Access Bank promete reforçar o compromisso com Moçambique. O administrador-delegado Chiwetalu Obikwelu quer promover a inclusão financeira, apoiar pequenas e médias empresas e dinamizar a energia e a agricultura. Aposta em soluções digitais e no financiamento sustentável.

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O Access Bank, grupo pan-africano, quer reforçar a presença no País com uma visão de longo prazo. Em entrevista à E&M, o administrador-delegado do Access Bank em Moçambique, Chiwetalu Obikwelu, aborda a estratégia, a tecnologia, a sustentabilidade e a inclusão financeira. “O potencial do gás natural liquefeito reforça perspectivas positivas”, refere, mas há outras oportunidades.

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Quando é que iniciou a sua carreira no sector bancário?

Tenho mais de 25 anos de experiência. Iniciei a minha carreira na Nigéria, onde trabalhei sobretudo nas áreas de banca comercial, corporativa e instituições financeiras. Passei igualmente pela gestão de agências e, posteriormente, liderei o negócio de petróleo e gás. Mais tarde, em 2021, fui destacado para a África do Sul, onde permaneci cerca de três anos, com algumas passagens por Angola. Vim para Moçambique em 2024.

Chegou ao País num momento de instabilidade, no período pós-eleitoral [Outubro de 2024]. Como analisa o mercado moçambicano?

O contexto foi de avanços e recuos. À chegada, a economia estava praticamente paralisada devido à instabilidade pós-eleitoral. Ainda assim, identifiquei aspectos positivos, nomeadamente o civismo da população, sem destruição generalizada de infra-estruturas. Com o tempo, registou-se alguma estabilização e recuperação, impulsionadas por medidas do Governo e pela intervenção da Associação Moçambicana de Bancos, que mobilizou cerca de 10 mil milhões de meticais para apoiar os afectados. Persistem desafios, como as cheias, mas há sinais de retoma. O potencial do gás natural liquefeito reforça perspectivas positivas.

Qual tem sido a trajectóriarecente do Access Bank e quais são os seus principais motores de crescimento?

Talvez seja importante começar por contextualizar quem somos. O Access Bank teve origem na Nigéria, por volta de 2002, como um banco muito pequeno. Na altura, existiam cerca de 85 bancos no País e estávamos posicionados aproximadamente no 65.º lugar.

Em suma, quais são as prioridades estratégicas do banco para os próximos três a cinco anos? Pretendemos posicionar-nos entre os cinco principais bancos em Moçambique. Vamos reforçar o financiamento à economia, apostar na digitalização e manter a sustentabilidade como prioridade

Entre 2002 e 2004, houve uma consolidação bancária que reduziu o número de instituições de 85 para 25. Este processo implicou fusões, aquisições e reestruturações, num período que foi bastante desafiante. Apesar disso, o banco conseguiu reinventar-se e hoje é o maior da Nigéria em vários indicadores. Em cerca de 24 anos, passámos de uma pequena instituição a líder do sistema financeiro nigeriano.

Actualmente, somos um banco pan-africano. A nossa ambição é ser a porta de entrada para os serviços financeiros em África. Iniciámos a expansão por volta de 2007, com presença em países como Gana, Serra Leoa e Guiné-Conacri. Hoje, estamos presentes em 16 países africanos, abrangendo a África Ocidental, Oriental e Austral. Na África Austral, estamos presentes na África do Sul, Moçambique, Zâmbia, Angola e Botsuana. Estamos ainda a iniciar operações na Namíbia e estamos presentes também no Quénia, Tanzânia e Ruanda.

Além disso, estabelecemos presença em importantes centros financeiros globais. Dispomos de um banco comercial no Reino Unido e operações em cidades como Paris, Malta, Dubai e Hong Kong, com presença também na China e na Índia.

Com essa rede internacional, é evidente que o banco tem uma ambição de longo prazo em Moçambique. Confirma essa visão?

Sem dúvida. Onde quer que operemos, estamos comprometidos com o longo prazo. Quando decidimos entrar em Moçambique, o contexto era ainda marcado pelo período pós-covid, com poucas perspectivas. No entanto, acreditámos no potencial do País. Moçambique é estratégico para África e para o corredor da África Austral. Possui vastos recursos naturais, incluindo uma das maiores reservas de gás do continente, ainda em fase de desenvolvimento. A isto soma-se a disponibilidade de terras aráveis e de uma população jovem e dinâmica, um recurso essencial que precisa ainda de ser plenamente aproveitado.

Assim, procurámos estabelecer parcerias com o Governo e com os reguladores, com base em princípios de boa governação, para contribuir para o desenvolvimento sustentável.

Qual é o papel da tecnologia na transformação dos serviços do banco em Moçambique?

A tecnologia é central. Permite alcançar mais clientes, incluindo em zonas sem agências. Apostamos num modelo digital e na Inteligência Artificial (IA) para melhorar a experiência do cliente e personalizar serviços. A IA facilita a análise de dados e aumenta a eficiência. Não substitui necessariamente empregos, mas torna o trabalho mais produtivo. Há riscos, como a cibersegurança, mas temos mecanismos de controlo robustos e não registámos incidentes relevantes.

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A inclusão financeira impulsiona o crescimento económico e oportunidades para todos

O banco já implementou alguma tecnologia inovadora que esteja a melhorar a experiência dos clientes?

Sim. Destaco a plataforma “Nano Lending”, que permite acesso a crédito via telemóvel, em parceria com a Vodacom, através do M-Pesa. Em 2025, disponibilizou cerca de 11 mil milhões de meticais, sobretudo em pequenos montantes. O principal benefício é o acesso ao crédito sem necessidade de deslocação a uma agência.

Os resultados são positivos, após ajustes no modelo de risco. Utilizamos dados de uso do telemóvel para definir limites de crédito. Inicialmente, houve incumprimentos elevados, mas foram introduzidos mecanismos de controlo e reforçada a sensibilização. Actualmente, o desempenho é satisfatório e prevemos expandir o serviço para o e-Mola.

No que diz respeito à tecnologia e digitalização, existem iniciativas direccionadas  para os jovens?

Temos parcerias com universidades para formação e educação financeira.

Destaca-se o “Pitch-A-Ton”, dirigido a mulheres empreendedoras, que recebem financiamento e mentoria. Criámos também uma divisão dedicada à juventude e apoiamos jovens através de programas para PME.

No domínio da cibersegurança, o banco dispõe de uma estrutura dedicada à gestão de riscos digitais?

Sim. Existe uma unidade especializada em cibersegurança, com monitorização contínua.

Apesar dos riscos crescentes, temos conseguido mitigá-los eficazmente. Estamos também a reforçar a sensibilização dos clientes para práticas seguras.

No que diz respeito ao financiamento da economia, como é que o banco apoia as pequenas e médias empresas (PME) e o sector de petróleo e gás em Moçambique?

No sector energético, trazemos a experiência da Nigéria para apoiar toda a cadeia de valor, incluindo conteúdo local. Financiamos a participação nos grandes projectos em parceria com outras instituições e apoiamos também o sector a jusante. Para as PME, criámos soluções sem necessidade de garantias reais, com financiamento até cerca de 3 milhões de meticais, com boa adesão. A progressão do financiamento é gradual. Começamos com montantes reduzidos e aumentamos à medida que o cliente demonstra capacidade de reembolso. O objectivo é acompanhar o crescimento das empresas.

A plataforma “Nano Lending” permite acesso a crédito via M-Pesa e, em 2025, disponibilizou cerca de 11 mil milhões de meticais, sobretudo em pequenos montantes

Há um interesse crescente em financiamento no Access para participar nos grandes projectos. Trabalhamos com associações para promover capacitação e integração na cadeia de valor e facilitamos também parcerias com empresas internacionais.

Sobre sustentabilidade, o banco adopta princípios de ESG?

A sustentabilidade é central. Classificamos projectos por níveis de risco e priorizamos os de baixo impacto ambiental e social, que representam cerca de 60% do financiamento. Procuramos apoiar e orientar as empresas, mantemos limites para projectos de maior risco e prestamos aconselhamento para melhorar a viabilidade. Temos critérios claros e excluímos sectores como tabaco e armas.

O papel de um banco passa por parcerias e impacto social. Promovemos iniciativas de economia circular, campanhas de doação de sangue e financiamento verde, incluindo projectos ligados a créditos de carbono.

E têm iniciativas para promover o empreendedorismo feminino?

Promovemos programas de capacitação, financiamento e mentoria. Oferecemos também condições de crédito mais favoráveis para negócios liderados por mulheres, cujos níveis de incumprimento são, em geral, mais baixos.No entanto, ainda há menos empresas lideradas por mulheres, mas trata-se de um fenómeno global.

Texto Nário Sixpene • Fotografia Mariano Silva

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