O sector privado considera que a criação de um ambiente de negócios mais previsível e favorável ao investimento é fundamental para acelerar o desenvolvimento da economia azul em Moçambique. A posição foi defendida esta sexta-feira (12), em Maputo, por Meque Jimo Armando, representante da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), durante o painel “Mecanismos de Financiamento da Economia Azul”, realizado no âmbito da 3.ª Conferência Internacional Crescendo Azul.
Na sua intervenção, o representante da CTA destacou o vasto potencial marítimo do País e defendeu que Moçambique reúne condições para se afirmar como uma referência regional na economia azul, graças à sua extensa linha costeira, posição geoestratégica, recursos marinhos e infra-estruturas portuárias. “Moçambique é um gigante azul por despertar”, afirmou, sublinhando que o mar representa uma importante fonte de oportunidades para sectores como a logística portuária, a pesca, a aquacultura, o turismo costeiro e as energias renováveis associadas ao oceano.
Segundo Meque Jimo Armando, para que esse potencial se traduza em investimentos concretos, é necessário criar condições que reforcem a confiança dos investidores. Entre as principais prioridades apontadas estão a garantia de segurança jurídica, a simplificação dos processos de licenciamento, a modernização das infra-estruturas, o acesso a financiamento competitivo e a formação de mão-de-obra especializada para as actividades ligadas ao mar. “O sector privado precisa de um quadro legal estável e previsível que proteja os investimentos e ofereça confiança aos investidores”, defendeu.
O responsável acrescentou que os portos moçambicanos representam activos estratégicos para a economia azul, destacando os portos de Maputo, Beira e Nacala como plataformas com elevado potencial para atrair investimentos em expansão portuária, armazenagem frigorífica, digitalização logística, transporte multimodal e corredores de exportação.
A aquacultura foi igualmente identificada como uma das áreas com maior potencial de crescimento, acompanhando a tendência global de aumento da procura por produtos marinhos destinados ao consumo e exportação. Espécies como tilápia, camarão, moluscos e algas marinhas foram apontadas entre as oportunidades para diversificação económica e criação de emprego.
No sector do turismo, a CTA considera que o País possui vantagens competitivas significativas, destacando destinos como os arquipélagos de Bazaruto e das Quirimbas, que continuam a atrair interesse crescente de investidores e visitantes internacionais. A intervenção abordou ainda o potencial das energias renováveis oceânicas, incluindo energia eólica offshore, energia das marés, das ondas e projectos ligados ao hidrogénio verde, áreas que começam a despertar interesse junto dos investidores internacionais.
Como contributo para acelerar o desenvolvimento do sector, a CTA propôs a criação de uma carteira nacional de projectos de economia azul, o estabelecimento de plataformas de investimento oceânico, o desenvolvimento de clusters marítimos regionais, o reforço das parcerias público-privadas, mecanismos específicos de financiamento azul, programas de formação profissional marítima e uma estratégia de promoção internacional de Moçambique.
O painel reuniu igualmente Manuel Mutumucuio, do Banco Mundial, Enea Stocco, da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), e Oswaldo Petersburgo, presidente do conselho de administração do ProAzul. A sessão foi moderada pelo secretário de Estado do Tesouro, Amílcar Tivane.
A 3.ª Conferência Internacional Crescendo Azul encerra esta sexta-feira (12), após dois dias de debates que reuniram representantes do Governo, sector privado, parceiros de cooperação, investidores, académicos e especialistas nacionais e internacionais para discutir estratégias de desenvolvimento sustentável da economia azul em Moçambique e na região.
Texto: Felisberto Ruco

