A relação entre Moçambique e os Emirados Árabes Unidos continua a ganhar profundidade e dimensão estratégica. Num contacto telefónico realizado este sábado, 13 de Junho, o Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, e o seu homólogo dos EAU, Sheikh Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, reafirmaram o compromisso de elevar a cooperação bilateral para um novo patamar, com enfoque em sectores considerados determinantes para o crescimento económico e o desenvolvimento sustentável.
Durante a conversa, os dois chefes de Estado passaram em revista o estado das relações de amizade, solidariedade e cooperação entre Maputo e Abu Dhabi, destacando a vontade comum de reforçar as parcerias nas áreas do comércio, investimento, energia, infra-estruturas, agricultura, turismo e sustentabilidade. O diálogo surge num momento em que Moçambique procura consolidar alianças internacionais capazes de acelerar a transformação económica do País, ao mesmo tempo que os EAU reforçam a sua presença e influência em África através de investimentos, cooperação técnica e programas de apoio ao desenvolvimento.

Solidariedade e cooperação multilateral
Segundo comunicado da Presidência da República, citado pela Agência de Informação de Moçambique, Daniel Chapo expressou o apreço do povo e do Governo moçambicanos pelo apoio que os Emirados Árabes Unidos têm prestado ao País ao longo dos anos, sublinhando, em particular, a solidariedade demonstrada durante as recentes cheias que afectaram várias regiões de Moçambique. Esse apoio materializou-se através de assistência humanitária e de iniciativas dirigidas às populações afectadas.
Os dois Presidentes trocaram ainda impressões sobre questões de interesse regional e internacional, enfatizando a importância do diálogo, da cooperação multilateral e da promoção da paz, estabilidade e prosperidade globais, num contexto internacional marcado por desafios económicos e geopolíticos cada vez mais complexos. O actual estágio das relações entre Moçambique e os Emirados Árabes Unidos é apontado como um dos mais dinâmicos da diplomacia moçambicana, com os dois países a caminharem para a consolidação de uma parceria assente na confiança mútua, na solidariedade e numa visão comum de progresso.
EAU entre os maiores investidores em Moçambique
Do ponto de vista económico, os Emirados Árabes Unidos assumem-se como um dos parceiros estratégicos mais relevantes de Moçambique, sendo apontados como o quinto maior investidor no País. Entre 2016 e 2020, foram aprovados 24 projectos de investimento dos EAU em Moçambique, avaliados em cerca de 300 milhões de dólares. A cooperação tem-se consolidado sobretudo nas áreas da energia, logística portuária, transportes, comércio de matérias-primas, agricultura, segurança alimentar, saúde, educação, digitalização e industrialização.
Nos últimos anos, as trocas comerciais entre os dois países superaram os 3,1 mil milhões de dólares, embora a balança continue desfavorável a Moçambique. O País exporta para os EAU produtos como tabaco, caju, sementes, crustáceos, moluscos, alumínio, carvão mineral, minérios, rubis e ouro, enquanto importa sobretudo combustíveis líquidos, gás de cozinha, betume, pneus e viaturas.
Comércio cresce, mas balança continua desfavorável
A dinâmica comercial mostra uma relação em expansão, mas ainda desequilibrada. Num período de quatro anos, Moçambique exportou cerca de 1,3 mil milhões de dólares para os Emirados Árabes Unidos, enquanto importou aproximadamente 3 mil milhões de dólares. Em 2019, ano de pico das exportações, as vendas moçambicanas para aquele mercado atingiram 323 milhões de dólares, contra importações de 770 milhões de dólares.
Investimento privado e minerais críticos no centro da nova fase
A tendência recente aponta para um aprofundamento desta relação. Em Janeiro de 2026, Daniel Chapo visitou Abu Dhabi, onde apelou ao investimento privado dos EAU em sectores estratégicos da economia moçambicana, num contexto em que foram referidos investimentos potenciais na ordem dos 50 mil milhões de dólares nos próximos anos. Em Fevereiro, os dois países avançaram também com um acordo para aprofundar a cooperação nas áreas da agricultura, segurança alimentar e protecção ambiental, incluindo a criação de uma equipa técnica mista.
Apesar do défice comercial, o crescimento dos negócios bilaterais e o interesse crescente em minerais críticos, como grafite e ouro, reforçam o potencial dos EAU como parceiro de longo prazo para a diversificação económica de Moçambique.
