Novo Duplo Homicídio na Matola Agrava Preocupações Com Criminalidade Violenta • Diário Económico

Duas pessoas foram mortas a tiro na cidade da Matola, província de Maputo, num novo episódio de violência armada que reforça as preocupações em torno da criminalidade registada nos arredores da capital do País.

O crime ocorreu na tarde de segunda-feira, numa zona próxima da travessia do rio Mulahuze, ao longo da estrada que liga a Matola à cidade de Maputo, no troço Khongolote–Molumbela.

Segundo informações avançadas pela Polícia da República de Moçambique (PRM), as vítimas seguiam numa viatura quando foram surpreendidas por indivíduos ainda não identificados, que abriram fogo contra o veículo.

A porta-voz da PRM na província de Maputo, Carmínia Leite, confirmou a ocorrência do duplo homicídio, indicando que as vítimas permaneciam por identificar no momento do balanço inicial das autoridades.

“Duas pessoas perderam a vida, não se conhecendo a identidade das mesmas até agora”, afirmou a responsável, acrescentando que decorrem diligências para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar os autores.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o veículo atingido por múltiplos disparos na parte frontal, um padrão semelhante ao observado noutros ataques armados registados na Matola ao longo dos últimos meses.

O caso surge num contexto marcado pela sucessão de homicídios envolvendo agentes das forças de segurança e outros cidadãos, sobretudo naquele município.

O episódio mais recente ocorreu em Abril deste ano, quando duas pessoas foram mortas a tiro, entre as quais um agente do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), alegadamente durante uma operação.

Desde meados de 2025, vários casos de homicídios com recurso a armas de fogo foram registados na Matola, alguns envolvendo membros da Polícia da República de Moçambique e do Sernic.

“Duas pessoas perderam a vida, não se conhecendo a identidade das mesmas até agora”

Carmínia Leite

Entre os casos mais mediáticos figuram o assassinato de agentes policiais em serviço ou fora dele, ataques contra viaturas em circulação e tiroteios que provocaram vítimas colaterais.

As autoridades têm vindo a manifestar preocupação com a frequência destes crimes e com o nível de organização demonstrado pelos seus autores.

Em Outubro do ano passado, o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, reconheceu a gravidade da situação e apelou ao reforço das investigações para responsabilizar os envolvidos.

Na ocasião, o governante garantiu que o Executivo acompanha atentamente a evolução destes casos, e que as instituições de investigação criminal foram orientadas para aprofundar os esforços no sentido de identificar e levar à justiça os responsáveis pelos homicídios.

A PRM assegura que as investigações ao mais recente duplo homicídio prosseguem, não tendo ainda sido divulgadas informações sobre suspeitos ou possíveis motivações do ataque.

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