Sofala: Empresários Defendem Menos Burocracia e Mais Investimento Para Impulsionar Economia • Diário Económico

Os agentes económicos da província de Sofala defenderam a criação de condições mais favoráveis ao investimento privado, apontando a redução da burocracia, a melhoria das infra-estruturas e o aprofundamento da descentralização económica como prioridades para acelerar o crescimento do País, informou esta terça-feira, 16 de Junho, a Agência de Informação de Moçambique.

Segundo o órgão, as propostas foram apresentadas pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) – Delegação de Sofala, no âmbito das contribuições submetidas à Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).

Falando em representação dos empresários da comunidade muçulmana da província, Ismail Harun afirmou que a paz, a estabilidade política, a boa governação e o fortalecimento do sector privado constituem factores essenciais para o desenvolvimento económico e social de Moçambique.

Segundo o empresário, o País necessita de um ambiente de negócios mais competitivo e previsível, capaz de estimular novos investimentos e promover a expansão das actividades empresariais.

“O sector privado precisa de um ambiente de negócios mais favorável para o investimento, com maior previsibilidade, redução da burocracia, simplificação dos procedimentos e melhoria da eficiência dos serviços públicos”, defendeu.

Ismail Harun sustentou que “o crescimento económico sustentável depende de uma colaboração mais estreita entre o Estado e o sector privado, de forma a criar emprego, aumentar a produtividade e gerar mais oportunidades para os cidadãos”.

Entre as áreas consideradas estratégicas pelos empresários estão os investimentos em estradas, caminhos-de-ferro, energia, telecomunicações e logística, vistas como determinantes para melhorar a integração económica e reforçar a competitividade nacional.

“O sector privado precisa de um ambiente de negócio mais favorável para o investimento, com maior previsibilidade, redução da burocracia, simplificação dos procedimentos e melhoria da eficiência dos serviços públicos”

Ismail Harun

Os agentes económicos defenderam igualmente o aprofundamento da descentralização económica e administrativa, argumentando que as províncias devem dispor de maior autonomia e capacidade para impulsionar o seu próprio desenvolvimento.

Ao abordar a realidade de Sofala, Ismail Harun destacou o papel da província como um dos principais pólos económicos do País, graças à sua localização estratégica e à dinâmica do tecido empresarial local.

“A experiência de Sofala demonstra que, mesmo perante desafios complexos, é possível reconstruir, crescer e prosperar quando existe diálogo, liderança e uma visão clara para o futuro”, afirmou.

Por sua vez, o presidente da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, Edson Macuácua, considerou que as contribuições apresentadas pelos empresários reflectem preocupações de interesse nacional e não apenas de um sector específico.

Segundo explicou, “todas as propostas recolhidas durante a fase de auscultação pública serão analisadas no processo de construção de consensos para o futuro do País”.

Edson Macuácua revelou ainda que a fase de consultas foi concluída, permitindo recolher contributos provenientes da sociedade civil, do sector privado, da academia, dos partidos políticos e de cidadãos residentes na diáspora.

Da sistematização dos contributos recebidos emergiram três correntes principais de opinião: uma favorável à manutenção do modelo actual, outra defensora de reformas graduais e uma terceira que propõe transformações mais profundas na organização do Estado.

“Vamos iniciar uma nova etapa do processo de diálogo nacional inclusivo, em que já vamos discutir cenários concretos, conteúdos concretos e propostas concretas, para, a partir daí, começarmos a construir os consensos sobre o produto final do diálogo nacional inclusivo”, afirmou.

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