Reservas Bancárias no BdM Caíram em Abril • Diário Económico

O volume de reservas obrigatórias dos bancos comerciais depositadas no Banco de Moçambique (BdM) diminuiu 2,2% em Abril, fixando-se em 3,2 mil milhões de dólares, de acordo com os mais recentes dados estatísticos divulgados pelo banco central, segundo informou Lusa.

A redução interrompe a trajectória de recuperação observada nos meses anteriores e ocorreu antes da decisão do Comité de Política Monetária de voltar a aumentar os coeficientes de reservas obrigatórias para os depósitos em moeda nacional.

Em Março, o montante destas reservas ascendia a 3,2 mil milhões de dólares, tendo recuado em cerca de 71 milhões de dólares num mês. As reservas obrigatórias correspondem à parcela dos depósitos dos clientes que os bancos são obrigados a manter junto do Banco de Moçambique, funcionando como um dos principais instrumentos de controlo da liquidez e da inflação.

Os dados históricos mostram que estas reservas atingiram um máximo de 3,9 mil milhões de dólares em Dezembro de 2024. Contudo, após o alívio das exigências impostas pelo banco central em Janeiro de 2025, o volume registou uma queda acentuada, iniciando posteriormente uma trajectória gradual de recuperação.

O comportamento das reservas acompanha a evolução da política monetária adoptada pelo Banco de Moçambique nos últimos anos. Em Janeiro de 2023, os coeficientes de reservas obrigatórias estavam fixados em 10,5% para depósitos em moeda nacional e 11% para depósitos em moeda estrangeira. Ao longo desse ano, o banco central promoveu sucessivos aumentos com o objectivo de reduzir o excesso de liquidez no sistema financeiro e conter as pressões inflacionistas.

O último agravamento ocorreu em Junho de 2023, quando os coeficientes atingiram níveis históricos de 39% para depósitos em moeda nacional e 39,5% para depósitos em moeda estrangeira. Como consequência, o volume de recursos retidos junto do banco central aumentou quase 400% desde Dezembro de 2022, quando totalizava 836 milhões de dólares, até ao final de 2024.

Perante a escassez de divisas no mercado interno, o sector privado vinha defendendo um alívio dos coeficientes de reservas obrigatórias, sobretudo para os depósitos em moeda estrangeira. O Banco de Moçambique respondeu parcialmente a estas preocupações em Janeiro de 2025, ao reduzir os coeficientes para 29% em moeda nacional e 29,5% em moeda estrangeira.

Entretanto, face ao aumento dos riscos inflacionistas associados à subida dos preços internacionais dos combustíveis e às tensões geopolíticas no Médio Oriente, o Comité de Política Monetária decidiu, em Maio deste ano, voltar a reforçar as exigências para os depósitos em moeda nacional, elevando o coeficiente de reservas obrigatórias de 29% para 39%. O coeficiente aplicável aos depósitos em moeda estrangeira foi mantido em 29,5%.

Segundo o Banco de Moçambique, a medida visa absorver a liquidez excedentária existente no sistema bancário e limitar potenciais pressões sobre os preços, numa altura em que as autoridades monetárias admitem riscos acrescidos para a inflação nos próximos meses.

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