Economia

Banco de Moçambique Reporta Reservas Internacionais de 4,1 MM$, um Novo Pico Histórico • Diário Económico

As Reservas Internacionais Líquidas (RIL) de Moçambique atingiram, em Dezembro, um novo máximo histórico de 4,1 mil milhões de dólares, segundo dados do relatório estatístico do Banco de Moçambique, tal como informou a Lusa.

O valor supera o anterior recorde registado em Novembro, quando as reservas se fixaram em 4 mil milhões de dólares, representando um crescimento de quase 2% num único mês. Já em Agosto tinha sido alcançado um pico de 4 mil milhões de dólares, após o qual se verificaram oscilações moderadas.

Em Setembro, as reservas tinham aumentado 1%, situando-se em 3,9 mil milhões de dólares, tendência que se manteve em Outubro, consolidando uma trajectória de reforço gradual da posição externa do País ao longo do segundo semestre de 2025.

As RIL correspondem essencialmente a activos em moeda estrangeira destinados a garantir o pagamento de importações de bens e serviços, funcionando como um importante indicador da solidez financeira externa.

Apesar do volume recorde, os empresários continuam a queixar-se de dificuldades no acesso a divisas através do sistema bancário. Em Novembro, o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, classificou a situação como uma “emergência económica”.

“A escassez de divisas é hoje uma emergência económica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contratos e não crescem. O Estado deve garantir prioridade no acesso a divisas para empresas produtoras e exportadoras e criar incentivos para quem exporta e substituir as importações”, afirmou, na abertura da 20.ª Conferência Anual do Sector Privado, o principal fórum de diálogo público-privado no País.

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BdM registou em Dezembro um novo máximo histórico das Reservas Internacionais Líquidas.

O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, tem reiterado que existe fluidez no mercado cambial, afastando a necessidade de qualquer intervenção adicional.

Por seu turno, o Fundo Monetário Internacional defendeu, este mês, uma maior flexibilidade cambial, recomendando a aproximação entre as taxas oficiais e as praticadas no mercado paralelo, no âmbito das consultas regulares relativas a 2025.

“O adiamento das reformas agravará a crise e aumentará os custos de ajustamento. É necessária uma acção imediata e coordenada com urgência para restaurar a estabilidade, proteger os grupos vulneráveis e lançar as bases para um crescimento sustentável e inclusivo”, lê-se nas recomendações divulgadas.

Na mesma avaliação, o FMI sustenta que a política monetária moçambicana “deve manter-se restritiva”, advertindo que “o afrouxamento monetário arrisca agravar a escassez de divisas” actual, e defende políticas cambiais que apoiem “o ajustamento externo e a competitividade”.

Com este novo máximo, Moçambique encerra o ano com o nível mais elevado de reservas externas de sempre, embora persistam tensões no funcionamento efectivo do mercado cambial interno.

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