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Banco Mundial Estuda Mecanismos Para “Aliviar Pressão da Dívida” em Moçambique • Diário Económico

a d v e r t i s e m e n t

O Banco Mundial está a preparar um pacote financeiro até 10 mil milhões de dólares para apoiar Moçambique a enfrentar a crescente pressão da dívida pública, num contexto marcado pelo aumento dos custos de financiamento e pela fragilidade macroeconómica, tal como informou a Reuters.

A informação foi avançada pelo director do Banco Mundial para Moçambique, Fily Sissoko, que sublinhou que a instituição está a trabalhar em estreita articulação com as autoridades nacionais. “O Governo está plenamente consciente da situação e estamos a colaborar de muito perto para ver como podemos ajudar a corrigir alguns destes desequilíbrios, analisando todas as opções”, afirmou.

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Segundo o responsável, o apoio deverá ser mobilizado ao longo dos próximos cinco anos, combinando financiamento concessional e investimento privado. Cerca de 6 mil milhões de dólares serão disponibilizados directamente pelo Banco Mundial, enquanto outros 4 mil milhões de dólares poderão ser mobilizados através de instrumentos dirigidos ao sector privado.

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A iniciativa surge numa altura em que Moçambique enfrenta dificuldades para estabilizar a sua economia, pressionada por níveis elevados de endividamento, crescimento moderado e impactos de choques climáticos. Uma análise recente da sustentabilidade da dívida, elaborada em conjunto com o Fundo Monetário Internacional, concluiu que a trajectória actual é insustentável.

Os indicadores de risco soberano reflectem este cenário. O prémio exigido pelos investidores para deter dívida moçambicana em moeda estrangeira ultrapassou os 1000 pontos base, atingindo um máximo de dez meses, num contexto de retracção global dos mercados emergentes.

Paralelamente, o Governo admite a possibilidade de reestruturação da dívida externa. O Presidente da República, Daniel Chapo, já havia referido a necessidade de renegociar termos com credores internacionais, numa fase em que se antecipa um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional.

Entre os principais desafios estruturais destacam-se os défices fiscais persistentes, a necessidade de reforçar a arrecadação de receitas e a melhoria da eficiência da despesa pública. Dados indicam que a dívida pública atingiu cerca de 91% do Produto Interno Bruto até ao final de 2025, enquanto os atrasos no serviço da dívida representavam 1,3% do PIB.

O Banco Mundial defende a implementação de um plano de consolidação fiscal entre três a cinco anos. “Esperamos que, nos próximos meses, este plano macrofiscal seja finalizado para que possamos avançar para maior estabilidade e previsibilidade para os investidores privados”, acrescentou Sissoko.

Apesar dos riscos, o País mantém perspectivas positivas associadas ao desenvolvimento dos projectos de gás natural liquefeito. “O gás natural liquefeito pode representar uma oportunidade enorme para Moçambique. O País poderá tornar-se um dos maiores produtores mundiais”, destacou o responsável.

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