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Comandante Das FADM Reúne-se Com Forças Ruandesas Para Analisar Situação de Segurança • Diário Económico

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O comandante do Exército das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), André Rafael Mahunguane, visitou nesta quarta-feira, 11 de Março, o quartel-general da Força-Tarefa Conjunta (FTC) do Ruanda, localizado em Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, região Norte do País.

De acordo com um comunicado publicado pelo Club of Mozambique, Mahunguane foi recebido pelo comandante da FTC das Forças de Segurança do Ruanda, juntamente com o comandante do Componente Policial e o comandante do Grupo de Brigada da Força-Tarefa 7.

Durante a visita, as partes debateram a actual situação de segurança na província de Cabo Delgado, avançando com o planeamento operacional conjunto, no reforço da coordenação e na partilha de informações.

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“André Mahunguane elogiou os esforços conjuntos em curso entre as forças moçambicanas e ruandesas na luta contra o terrorismo e reiterou a importância da cooperação contínua entre as duas forças, prometendo total apoio”, acrescentou o comunicado.

Uma força de mais de dois mil militares do Ruanda combate desde 2021 os grupos terroristas que operam na província de Cabo Delgado, protegendo, nomeadamente, a área em que a francesa TotalEnergies tem um empreendimento para explorar gás natural, após acordo entre os dois Governos. Esta força começou a ser reforçada em Abril de 2024, na sequência da saída progressiva da missão militar dos países da África Austral.

Em Novembro de 2024, o Conselho da União Europeia (UE) aprovou uma verba adicional de 20 milhões de euros (1,3 mil milhões de meticais) para apoiar as forças ruandesas no combate ao terrorismo, considerando que este destacamento “tem sido fundamental”.

Entretanto, em Janeiro passado, a organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou que 6418 pessoas tenham sido mortas desde o início dos ataques terroristas em 2017, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, em Cabo Delgado.

“Dos 2298 eventos violentos registados, 2133 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique. A violência política no norte do País diminuiu significativamente no final de 2025, sendo Dezembro o auge da estação chuvosa, que restringe a mobilidade, tanto dos terroristas quanto das forças estatais e, consequentemente, reduz a capacidade de realizar operações”, descreveu a entidade.

No relatório, a instituição esclareceu que “apesar desse decréscimo sazonal, forças estatais, moçambicanas e ruandesas, entraram em confronto com o Estado Islâmico ao longo da costa e no interior, indicando uma nova seriedade no enfrentamento do grupo.”

Desde Outubro de 2017, Cabo Delgado – província rica em recursos naturais, nomeadamente gás – tem sido palco de uma insurgência armada que já provocou milhares de mortos e originou uma crise humanitária com mais de um milhão de deslocados internos.

Em Abril de 2025, os ataques alastraram também à vizinha província do Niassa. Um dos episódios mais graves ocorreu na Reserva do Niassa e no Centro Ambiental de Mariri, no distrito de Mecula, onde grupos armados não estatais atacaram instalações, roubaram bens, destruíram acampamentos e uma aeronave do parque. Estes actos resultaram na morte de, pelo menos, duas pessoas, e levaram à deslocação de mais de dois mil indivíduos, dos quais 55% crianças.

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