Economia

CGD Disponível Para Continuar no BCI Após Intenção de Venda da Participação do BPI • Diário Económico

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) manifestou disponibilidade para manter a sua participação no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), após o anúncio de que o BPI pretende alienar a posição que detém naquela instituição moçambicana, tal como informou a Lusa.

A posição foi tornada pública na quinta-feira (26), em Lisboa, durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados da CGD. Questionado sobre a permanência do grupo bancário português em Moçambique, o presidente executivo da instituição, Paulo Macedo, afirmou que o BCI tem apresentado, em condições normais de funcionamento, resultados positivos e que a CGD continuará no mercado moçambicano enquanto existirem clientes e um enquadramento favorável.

“Se as autoridades entenderem que é positivo para a Caixa permanecer […], ficaremos no BCI”, declarou o gestor. O posicionamento surge depois de o BPI ter anunciado, a 2 de Fevereiro, a intenção de vender a participação de 35,67% que detém no BCI, na sequência de prejuízos registados em 2025 associados à sua exposição ao mercado moçambicano. A revelação foi feita em Lisboa pelo presidente do banco, João Pedro Oliveira e Costa, durante a apresentação dos resultados anuais.

Segundo o responsável, as participações do BPI em Angola e em Moçambique “não são estratégicas”, admitindo abertura para alienar os activos nesses mercados. “Quando digo publicamente que se trata de participações não estratégicas, significa que estou disponível para vender”, afirmou, acrescentando que qualquer decisão relativa ao BCI será previamente comunicada à CGD, principal accionista da instituição moçambicana.

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CGD é o principal banco público português e um dos maiores grupos financeiros da lusofonia

Em 2025, o BPI registou lucros consolidados de 558 milhões de dólares, valor que representa uma redução de 13% face ao exercício anterior. A descida é atribuída, sobretudo, à evolução das participações no Banco de Fomento Angola e no BCI.

Enquanto a operação angolana contribuiu com 46,8 milhões de dólares para os resultados líquidos do grupo, o BCI apresentou uma contribuição negativa de 21,82 milhões de dólares, contrastando com os 41,4 milhões de dólares positivos registados no ano anterior.

De acordo com a administração do BPI, o desempenho do BCI foi impactado pela evolução da dívida soberana moçambicana, que influenciou as provisões e imparidades reconhecidas. Por seu turno, a CGD registou lucros de 2 mil milhões de dólares em 2025, o valor mais elevado da sua história, representando um crescimento de 10% face a 2024. O BCI contribuiu com 8,7 milhões de dólares para os resultados consolidados do grupo português no mesmo período.

Em Setembro de 2025, o BPI concluiu a venda de 14,75% do capital do Banco de Fomento Angola, operação que rendeu cerca de 112,3 milhões de dólares, mantendo actualmente uma posição de 33,4% naquela instituição.

Sobre a CGD

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) é o principal banco público português e um dos maiores grupos financeiros da lusofonia, mantendo uma ligação histórica ao sistema bancário moçambicano através da sua posição accionista no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), uma das maiores instituições financeiras do País.

Para além da sua relevância no financiamento à economia e no apoio ao sector empresarial, o BCI esteve recentemente no centro da actualidade na sequência da morte do seu administrador financeiro, Pedro Ferraz dos Reis, ocorrida a 19 de Janeiro, num hotel em Maputo, facto confirmado pelas autoridades.

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