Fundo de Emergências da ONU Mobilizou 5 M$ Para Mitigar Impactos Das Cheias • Diário Económico
O Fundo de Resposta de Emergências da Organização das Nações Unidas (CERF, sigla em inglês) informou que mobilizou, desde Janeiro, cinco milhões de dólares para mitigar as consequências das cheias que afectaram nas últimas semanas as províncias de Maputo e Gaza, na região Sul de Moçambique.
Citada pela Lusa, a entidade explicou que se trata de verbas utilizadas para fornecer abrigos e assistência de emergência às populações deslocadas e que resultaram de doações estrangeiras, salientando que, só em Janeiro, mais de 100 mil pessoas chegaram a estar distribuídas nos 110 centros de acomodação criados.
Na semana passada, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) afirmou que a escala e o ritmo da emergência provocados pelas cheias de Janeiro excederam as disponibilidades, apelando à mobilização de 187 milhões de dólares para assistência urgente.
Num relatório com dados até 3 de Fevereiro, o organismo referiu que as inundações severas e persistentes afectaram grandes pontos do País, particularmente nas regiões Sul e Centro. “Os rios transbordaram, as comunidades foram deslocadas e casas, escolas, instalações de saúde, sistemas de água e estradas foram danificados ou destruídos.”
A agência das Nações Unidas reiterou estar a trabalhar com os parceiros humanitários, com as autoridades nacionais e locais para reforçar os sistemas de coordenação e apoiar a prestação de assistência vital, acrescentando que apenas conseguiu apoiar, até ao momento, 90 mil pessoas das 620 mil identificadas a necessitar de alimentação segura.
Dados actualizados do INGD indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos, ao todo, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro.
Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Alemanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.

Recentemente, o Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas registadas nos últimos 20 dias, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul.
Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais.
No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária.
Moçambique está em plena época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.