Governo Alerta Para “Recuo Nos Esforços” de Salvar Vidas Por Causa do Ciclone “Gezani” • Diário Económico
O Governo apontou para o recuo nos esforços de salvar vidas face aos impactos negativos previstos com a passagem da tempestade tropical “Gezani” que se prevê que evolua para ciclone, podendo atingir o canal de Moçambique no dia 12 de Fevereiro e afectar as regiões Sul e Centro do País.
“Este sistema vai atravessar Madagáscar e poderá aproximar-se da costa moçambicana como ciclone tropical, podendo afectar os distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, representando um recuo nos esforços das autoridades”, disse Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros.
Falando em conferência de imprensa nesta terça-feira, 10 de Fevereiro, o governante descreveu que o ciclone é esperado no litoral do sul do País, “com ventos médios de 120 quilómetros por hora e rajadas até 140 quilómetros por hora e chuvas intensas”, acrescentando que milhões de pessoas poderão ser atingidas.
“O Conselho de Ministros apela a todos os moçambicanos residentes nas zonas de possível impacto do ciclone ‘Gezani’ a seguirem as informações e orientações das entidades competentes por forma a minimizar os impactos negativos da passagem deste fenómeno”, apelou Impissa.
A Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) alertou que cerca de um milhão de pessoas poderão ser afectadas pela tempestade tropical “Gezani”, acrescentando que se espera ainda que o mau tempo afecte 1600 unidades sanitárias e 600 quilómetros de rede eléctrica.
Entretanto, diante deste cenário, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e do Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE) revelaram que o Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGD) activou as acções antecipadas para ciclones para a província de Sofala, bem como para toda a região Sul.
Num comuninado, as entidades esclareceram que as previsões hidrometeorológicas nacionais apontam que a passagem da tempestade tropical “Gezani” vai afectar os distritos costeiros das províncias de Sofala, Inhambane e Gaza, além de colocar em situação de alto risco de cheias e inundações as bacias costeiras de Inhambane, Mutamba, Save, Limpopo, e risco moderado para as bacias de Incomati e Umbelúzi
Dados actualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 844 mil pessoas em todo o País, com registo de 153 mortos e 254 feridos. Face à gravidade da situação, o Governo declarou o alerta vermelho nacional no dia 16 de Janeiro, sendo que, actualmente, estão activos 77 centros de acomodação, acolhendo 76 251 pessoas deslocadas.
Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 229 unidades sanitárias, 316 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 440 842 hectares de cultivo, dos quais 275 405 foram dados como perdidos, atingindo 314 780 agricultores. Estima-se também a morte de 408 115 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Suíça, Noruega, Japão e China, além de países vizinhos, já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.
Recentemente, o Governo previu a necessidade de, pelo menos, 644 milhões de dólares para reparar os danos provocados pelas chuvas intensas registadas nos últimos 20 dias, que resultaram em cheias e inundações em várias regiões do País, com maior incidência nas zonas Centro e Sul.
Entre os principais prejuízos, destacam-se os danos em cerca de três quilómetros da Estrada Nacional Número 1 (N1), a principal via rodoviária que liga Moçambique de norte a sul, situação que agravou as dificuldades de circulação de pessoas e de escoamento de bens essenciais.
No final do ano passado, o Executivo aprovou o plano de contingência nacional para a época chuvosa 2025-26 avaliado em 14 mil milhões de meticais. No entanto, admitiu dispor apenas de 6 mil milhões de meticais da verba necessária.
O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.