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“Governo Está a Apostar no Sector Privado Para Transformar a Economia”, Afirma Salim Valá • Diário Económico

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O Governo está apostar no sector privado como motor da economia e principal alavanca para a transformação estrutural do País nas próximas duas décadas, num contexto marcado por desafios climáticos, rápido crescimento populacional e forte pressão sobre os serviços básicos. A posição foi reafirmada nesta segunda-feira, 23 de Fevereiro, pelo ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a apresentação do Mozambique Business Outlook 2026, na segunda edição do evento EU Business Network 2026, realizado no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo.

Em discussão dedicada à reflexão estratégica sobre o futuro económico do País, o ministro enfatizou que a visão do Governo é criar um ambiente propício ao investimento privado, melhorar a infra-estrutura e fortalecer as parcerias internacionais, particularmente com a União Europeia (UE), como forma de impulsionar um crescimento inclusivo e sustentável.

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“O sector privado é o motor da economia. Cria riqueza, gera emprego, aumenta o rendimento das famílias e alarga a base tributária”, afirmou Salim Valá, acrescentando que Moçambique atravessa actualmente um período de grande turbulência. “Após mais de 50 anos de independência, enfrentamos violentas ondas em alto mar”, disse, numa alusão aos múltiplos choques económicos, sociais e climáticos que afectam o País.

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O governante partilhou as preocupações recentemente recolhidas junto de empresários da província de Niassa durante uma viagem a Lichinga, destacando dois desafios fundamentais: o acesso ao financiamento e as infra-estruturas precárias. “Eles levantaram duas preocupações principais: financiamento para formação empresarial e melhores estradas, conectividade e ligações ao mercado”, relatou, salientando que estas prioridades estão no centro das estratégias governamentais.

De acordo com Salim Valá, o Executivo tem redireccionado os investimentos públicos para responder aos impactos das inundações e das alterações climáticas, canalizando recursos inicialmente destinados ao Plano Económico e Social e ao Orçamento do Estado para 2026 para serviços básicos, reabilitação de infra-estruturas e apoio directo às populações afectadas. Esta reprogramação, explicou, é essencial para garantir a resiliência social e económica num contexto cada vez mais marcado por fenómenos meteorológicos extremos.

Apesar dos desafios imediatos, o ministro destacou o vasto potencial do País em áreas como turismo, energia, agronegócio, digitalização e infra-estrutura de apoio à produção, defendendo um compromisso claro com parcerias público-privadas. “Este mar de oportunidades pode permitir que Moçambique conte uma história diferente e tenha uma nova narrativa daqui a sete, oito ou dez anos”, declarou.

Salim Valá considerou ainda estratégica a cooperação com a União Europeia, realçando o papel dos empresários europeus na transferência de tecnologia, no acesso a mercados, no financiamento e na partilha de conhecimento gerencial. Para o ministro, esta parceria poderá ser determinante na construção de uma visão de desenvolvimento de longo prazo, projectada até 2045, tendo em conta o crescimento acelerado da população e a rápida urbanização.

No seu discurso, também enfatizou a necessidade de um planeamento mais inclusivo, envolvendo o sector privado, a sociedade civil e os parceiros de cooperação. “Queremos um novo Moçambique, onde a voz do povo não seja usada para esconder a pobreza, a falta de oportunidades e o desemprego, mas para exaltar a riqueza intelectual, espiritual e material que podemos construir juntos”, frisou.

Para concluir, o ministro reiterou o compromisso do Governo em criar condições para que o sector privado desempenhe um papel mais decisivo no desenvolvimento nacional, defendendo um modelo económico baseado na criação de valor, no reforço das capacidades produtivas e na promoção de oportunidades para todos os moçambicanos.

O EU Business Network 2026 é uma plataforma de networking de alto nível, que reúne empresários europeus e moçambicanos, representantes do Governo, corpo diplomático e parceiros institucionais. Promovido pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) em Moçambique (EUROCAM), o evento visa reforçar as relações económicas UE–Moçambique e fomentar novas oportunidades de cooperação e investimento.

Texto: Germano Ndlovo

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