Economia

Governo diz que encerramento da Mozal não é definitivo e a retoma pode acontecer daqui a um ano

O Governo moçambicano prevê que as actividades da empresa de fundição de alumínio Mozambique Aluminium (Mozal), que deverá fechar as portas amanhã, 15 de Março, possam retomar daqui a um ano após serem observados alguns trabalhos de manutenção.

A informação foi avançada esta sexta-feira (13), pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, que destacou que o plano actual da empresa prevê colocar a fundição num programa de manutenção básica, não significando o encerramento definitivo da unidade industrial. “Estima-se que sejam necessários cerca de 12 meses para que a fundição volte a operar normalmente”, avançou o porta-voz durante um briefing à imprensa realizado em Maputo para apresentar o balanço das acções do Governo nos últimos dias.

A Mozal é considerada a maior fábrica em funcionamento em Moçambique e desempenha um papel central na estratégia de industrialização do País, envolvendo dezenas de empresas que integram a sua cadeia de fornecimento.

Na ocasião, o governante assumiu que a Mozal representa cerca de 40% da produção industrial da província meridional de Maputo. Por isso, a paralisação das operações da Mozal, iniciada há cerca de duas semanas, “poderá ter impactos económicos, sobretudo devido à ligação da empresa com várias indústrias e fornecedores de serviços”.

“A produção da fundição tem um peso significativo na economia nacional, particularmente no sector das exportações. O produto que saía de lá contava muito na balança de exportações de produtos, o que era algo considerável. Era uma das principais fontes de exportação que tínhamos”, acrescentou.

Em meados de Dezembro último, a Mozal confirmou a suspensão das operações na sua fundição de alumínio, prevista para este domingo (15), devido à incapacidade da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) de garantir fornecimento de energia eléctrica suficiente e a preços competitivos.

O impasse nas negociações de um novo contrato de fornecimento de energia, com tarifas consideradas sustentáveis pela empresa, levou à suspensão das operações, uma situação que poderá afectar a economia local e os postos de trabalho. A decisão afecta cerca de 1100 empregos directos e aproximadamente 5000 indirectos, além de diversas empresas que fornecem bens e serviços à fundição.

Sobre as negociações em torno do fornecimento de energia, Impissa explicou que o Governo considerou existir margem para encontrar uma solução, sobretudo no que respeita à capacidade energética que o País poderia disponibilizar dentro das suas possibilidades.

Calcula-se que a Mozal necessite de cerca de 950 megawatts de energia, uma quantidade que, segundo o governante, o País não está actualmente em condições de fornecer. “Quem é o actual fornecedor de energia para a Mozal é a África do Sul, que também não está em condições de fornecer; não podemos saber os termos ou as razões em que afirmam isso”, referiu.

Segundo explicou, caso fosse possível assegurar essa capacidade energética, as negociações poderiam ter prosseguido, permitindo eventualmente alcançar um preço mais ajustado e as devidas compensações.

(Foto DR)

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