Economia

Governo sul-africano antevê “graves consequências” para empregos face à liquidação da Tongaat Hulett

O Governo sul-africano afirmou, através do Ministério do Comércio e Indústria, que se oporia à liquidação da produtora de açúcar Tongaat Hulett, alertando para graves consequências para empregos, agricultores e indústria açucareira do país.

“O Ministério do Comércio, em parceria com outros órgãos do Estado, opor-se-á à liquidação da Tongaat Hulett e continuará a apoiar todos os esforços legais destinados a encontrar uma solução viável e duradoura”, afirmou o ministro do Comércio e Indústria, Parks Tau.

De acordo com uma publicação da Reuters, o Governo sul-africano não tem o poder de impedir a liquidação, mas, “juntamente com outras partes interessadas, pode participar nas audiências e apresentar argumentos contra ela”.

Tau descreveu a Tongaat Hulett como um “actor sistemicamente importante” na cadeia de valor do açúcar e expressou optimismo quanto à sua potencial estabilização e reestruturação.

Recorde-se que a Vision Group, principal credora da empresa, afirmou que o processo de resgate da Tongaat Hulett, iniciado em 2022 após graves irregularidades, havia fracassado.

A Vision, que tenta comprar a empresa há cerca de três anos, também descreveu que a liquidação provisória garantiria a protecção dos activos, a estabilidade operacional e iria salvaguardar os meios de subsistência ligados à produtora de açúcar.

“Cerca de 250 mil empregos de produtores e fornecedores ligados ao sector de cultivo de cana-de-açúcar nas províncias de KwaZulu-Natal e Mpumalanga estão em risco, assim como 2600 empregos directos dentro da empresa”, avançou a Vision.

Uma audiência de liquidação provisória está agendada para 27 de Fevereiro, aumentando os temores sobre o futuro da cadeia de abastecimento de açúcar da África do Sul e as pressões económicas enfrentadas pelas comunidades rurais que dependem da empresa.

A Tongaat Hulett, com 134 anos de história, é uma das principais fábricas de açúcar da África do Sul, com capacidade para moer 2 milhões de toneladas métricas. Emprega milhares de pessoas nas suas operações na África do Sul, Zimbabué, Moçambique e Essuatíni.

(Foto DR)

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