Libertado Empresário Português Raptado em Outubro na Cidade de Maputo • Diário Económico
O empresário português raptado no dia 7 de Outubro do ano passado, no centro da cidade de Maputo, foi solto nesta terça-feira, 10 de Março, e já se encontra em casa, segundo avançou uma fonte familiar citada pela Lusa.
“O empresário, de 69 anos, que também tem nacionalidade moçambicana, foi solto na terça-feira e encontra-se já na sua residência, em Maputo”, avançou uma publicação da agência portuguesa, acrescentando que a fonte não adiantou mais pormenores.
De modo a confirmar o ocorrido, a Lusa comunicou igualmente que entrou em contacto com o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) que destacou estar ainda a aferir a informação sobre o caso.
O crime ocorreu por volta das 6h00, na avenida Zedequias Manganhela, quando seis indivíduos fortemente armados, munidos de espingardas do tipo AKM e pistolas, interpelaram a vítima e obrigaram-na a entrar numa viatura sem matrícula. O grupo colocou-se em fuga de imediato, sem deixar rasto.
Testemunhas oculares relataram, na época, que o homem era proprietário de uma empresa de venda de acessórios para viaturas. Imagens captadas no local mostraram o momento em que, ao sair do seu carro, o empresário foi surpreendido por dois dos presumíveis raptores, que o arrastaram para dentro do veículo. Um terceiro elemento juntou-se ao grupo segundos depois, tendo a viatura abandonado o local a alta velocidade.
Na altura, o SERNIC anunciou a detenção de dois homens suspeitos de envolvimento no rapto do empresário português. “Queremos confirmar a detenção de dois cidadãos nacionais, de idades entre 30 e 46 anos”, disse em conferência de imprensa João Adriano, porta-voz da entidade.
Em Janeiro, foi enviada uma petição pública dirigida às autoridades portuguesas que solicitava a cooperação da Polícia Judiciária (PJ) para investigar o rapto do cidadão luso-moçambicano, que se encontrava desaparecido há mais de três meses.
“Dada a gravidade da situação, o tempo decorrido e a angústia vivida pela família e pela comunidade, os signatários desta petição consideram essencial que o Estado português, através da Polícia Judiciária, avalie e actue dentro das suas competências legais, nomeadamente através de mecanismos de cooperação internacional, em defesa de um cidadão nacional, como é comum em situações semelhantes”, avançou o documento.
O pedido surgiu num momento em que uma equipa de três membros da PJ se encontrava em Maputo para prestar auxílio na investigação da morte do banqueiro português Pedro Reis, de 56 anos, executivo do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), liderado pela Caixa Geral de Depósitos.
Em Junho do ano passado, as autoridades haviam anunciado uma redução para metade no número de raptos na capital durante os primeiros cinco meses do ano, registando-se quatro casos contra oito no período homólogo de 2024. Ainda assim, dados do Ministério do Interior indicavam que, desde 2011 até Março de 2024, foram registados 185 raptos, com pelo menos 288 detidos por suspeitas de envolvimento neste tipo de crime.