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“Moçambique Deve Antecipar Meios Para Retirar Populações em Zonas de Cheias”, Defende Especialista • Diário Económico

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O especialista em Hidrologia e Gestão de Recursos Hídricos e antigo professor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Álvaro Vaz, defendeu a disponibilização antecipada de meios para retirada das populações das zonas de risco de inundações em Moçambique, sublinhando a necessidade de haver clareza quanto à localização dos centros de acomodação.

“Não basta dizer às pessoas que saiam, elas têm de saber claramente para onde ir, por onde e que meios estão disponíveis, porque nem toda a população possui meios de transporte particular, assim como não podem ser colocadas numa situação em que saem apenas com a roupa que levam vestida”, defendeu.

Álvaro Vaz, que é professor catedrático, falava como orador durante o debate sobre as cheias, organizado nesta quarta-feira, 18 de Fevereiro, pela organização não-governamental moçambicana Observatório do Meio Rural (OMR), afirmando que se deve investir em meios humanos e materiais para responder às emergências relacionadas com as mudanças climáticas.

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“Devem existir meios, como carros e camiões providenciados pelas autoridades, para permitir que as pessoas se desloquem com segurança e ainda levem os seus bens essenciais”, frisou o académico, citado numa publicação da Lusa.

Por sua vez, a arquitecta Shila Morais, indicou que as inundações registadas no País são muitas vezes causadas pela falta de planeamento e ordenamento territorial, com os principais cursos de água bloqueados, numa altura em que cresce a expansão urbana face ao crescimento populacional.

Morais descreveu que as desigualdades sociais empurram muitas famílias para áreas propensas a inundações. “É necessário que aprendamos e comecemos a ter intervenções integradas que vão para além de infra-estruturas para ter soluções mais estruturais através de um planeamento mais participativo”.

Para mitigar os impactos, a arquitecta defendeu mais investimentos em sistemas de aviso prévio e em infra-estruturas resilientes. “Em Moçambique, a chuva continuará variável, os rios a transbordar e as cidades a crescerem. Não se trata de quando é que a água vai chegar, mas como estamos preparados a nível urbano para receber esta água”.

Dados actualizados do INGD indicam que, desde o início da época chuvosa, em Outubro, foram afectadas 856 mil pessoas em todo o País, com registo de 215 mortos e 314 feridos, assim como foram abertos 137 centros de acomodação, que albergaram 112,9 mil pessoas. Actualmente, 51 centros ainda estão activos, com pelo menos 41 197 pessoas.

Desde 7 de Janeiro, foram ainda danificadas 246 unidades sanitárias, 635 escolas e cinco pontes. No sector agrícola, as cheias afectaram 554 603 hectares de cultivo, dos quais 287 810 foram dados como perdidos, atingindo 365 137 agricultores. Estima-se também a morte de 530 998 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Moçambique encontra-se em estado de alerta vermelho face a actual época chuvosa, um período que tem sido marcado por alertas de chuvas e ventos fortes, principalmente nas zonas Centro e Sul do País, com as autoridades a activarem acções de antecipação às cheias e inundações naquelas regiões.

O País é considerado um dos mais severamente atingidos pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais. Nas últimas chuvas, entre 2024-25, Moçambique foi atingido pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude que causaram a morte de pelo menos 313 pessoas, feriram 1255 e afectaram mais de 1,8 milhão.

Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

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